Um adolescente de 13 anos diagnosticado com leucemia aguarda desde junho a realização de um transplante de medula óssea recomendado pelos médicos. Segundo a família, a Klini Saúde ainda não autorizou o procedimento, mesmo após uma decisão judicial determinar a continuidade da assistência médica. O irmão mais velho do menino já foi identificado como doador compatível, de acordo com a mãe.
O caso se agravou em agosto, segundo reportagem do telejornal RJ1, da TV Globo, quando o contrato coletivo de assistência médica ligado ao sindicato dos servidores municipais de São Gonçalo foi suspenso. A interrupção ocorreu enquanto Lucas Mendes Pereira ainda estava em tratamento contra a doença.
A família recorreu à Justiça para garantir a continuidade dos cuidados. Em uma nova decisão, proferida na segunda-feira (19), foi estabelecido o prazo de 24 horas para que a operadora reative o plano de saúde do adolescente.
Tratamento começou no início de 2026
Lucas foi diagnosticado com leucemia no início deste ano e passou por sessões de quimioterapia. Durante o tratamento, desenvolveu uma síndrome que comprometeu os movimentos dos braços e das pernas. O adolescente também perdeu a visão.
Em depoimento, ele relatou as limitações provocadas pela doença e a vontade de retomar as atividades de que gostava antes.
“Eu não faço mais as coisas que eu gosto, não porque eu não quero, é porque eu não consigo. E eu quero voltar a fazer essas coisas”, contou Lucas.
A mãe, Karinna Mendes, é servidora da Prefeitura de São Gonçalo e tinha acesso ao plano coletivo da Klini Saúde por meio do sindicato dos servidores municipais.
Suspensão do plano dificultou a assistência
Segundo Karinna, após a suspensão do contrato, o novo plano disponibilizado pelo sindicato não aceitou Lucas como dependente. A família também não conseguiu contratar outra operadora na modalidade individual para garantir a cobertura do adolescente.
A mãe afirma que as dificuldades afetaram a continuidade dos cuidados médicos. Em outubro, segundo ela, o hospital responsável pelo acompanhamento de Lucas entrou em contato após receber informações da Klini Saúde sobre o prazo para a realização de uma manutenção da quimioterapia.
“Eles estão dificultando tudo. Não sei se querem que eu desista. É desgastante, porque é um direito do meu filho”, afirmou Karinna.
O pedido de transplante de medula óssea havia sido feito em junho, cerca de dois meses antes da suspensão do contrato. Desde então, a família aguarda a autorização para a realização do procedimento.
Irmão está apto a doar medula óssea
De acordo com Karinna, o irmão mais velho de Lucas já realizou os exames necessários e está apto a fazer a doação. A mãe afirma que os preparativos para o transplante estão concluídos e que a realização depende da liberação pelo plano de saúde.
Diante da demora, a família acionou a Justiça e obteve uma decisão determinando a manutenção do atendimento médico até o fim do tratamento.
Mesmo com a determinação judicial, o transplante ainda não havia sido realizado até a última atualização da reportagem. Na segunda-feira (19), uma nova decisão estabeleceu o prazo de 24 horas para a reativação do plano de saúde de Lucas.
Especialista explica importância da continuidade do tratamento
A professora de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Juliana Cesario Alvim, destacou a importância da continuidade da assistência médica em situações que envolvem doenças graves e risco à saúde do paciente.
“Casos de risco à vida, casos de risco à integridade física, têm que ser tratados com todo o cuidado, priorizando e privilegiando a continuidade do tratamento. Ainda mais sendo um tratamento essencial, e a jurisprudência reconhece isso em vários julgados”, afirmou.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui decisões sobre a manutenção da assistência médica a pacientes que estão em tratamento durante situações de rescisão ou cancelamento de contratos de planos de saúde. A aplicação dessas regras depende das circunstâncias de cada caso e das condições previstas na legislação e na jurisprudência.
Família organiza rifas para pagar despesas
Enquanto aguarda a solução para o atendimento médico, a família de Lucas busca recursos para custear sessões de fisioterapia e outros serviços necessários à recuperação do adolescente. Os parentes também organizam rifas para ajudar a pagar as despesas domésticas e os gastos relacionados ao tratamento.
Karinna relata desespero e indignação diante da incerteza sobre a continuidade da assistência e a realização do transplante.
“É brincar com a vida de alguém. Nem é raiva, não é isso. Quem é mãe sabe o que eu estou sentindo”, desabafou.
Procurada sobre as dificuldades relatadas pela família e a previsão de autorização do transplante, a Klini Saúde não havia respondido até a última atualização da reportagem.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também foi procurada, mas ainda não havia enviado um posicionamento.







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