Poluição amplia risco de doenças respiratórias na Zona Oeste e na Baixada

Moradores dessas regiões estão mais expostos a problemas como pneumonia, bronquite e asma; estudo também aponta desigualdades sociais e no tempo de deslocamento

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Um levantamento da Casa Fluminense aponta que moradores da Zona Oeste do Rio e da Baixada Fluminense estão mais expostos a doenças respiratórias. O estudo faz parte do Mapa da Desigualdade, que reúne indicadores de saúde, meio ambiente, mobilidade e características da população da Região Metropolitana do Rio.

Segundo os dados, foram registradas 47.424 internações por doenças do aparelho respiratório no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana. O número corresponde a 60% das internações desse tipo registradas em todo o estado.

Na Baixada, a exposição à poluição é relatada por moradores de áreas próximas a polos industriais. Em Campos Elíseos, em Duque de Caxias, moradores afirmam conviver com odores fortes e sintomas que associam à qualidade do ar.

Poluição e atividade industrial

Campos Elíseos fica próximo a um dos principais polos químico, petroquímico e industrial da Região Metropolitana. Moradores relatam problemas como ardência nos olhos, dor de cabeça, cansaço e falta de ar.

Elizabeth Nascimento contou que o cheiro forte provoca desconforto e também gera preocupação em relação às crianças que vivem na região. Isabel Cristina relatou que a poluição é constante e afirmou que os sintomas incluem mal-estar e irritação nos olhos.

De acordo com Luize Sampaio, da Casa Fluminense, a atividade industrial e o transporte estão entre os principais fatores relacionados à emissão de poluentes na Região Metropolitana. Segundo ela, o Rio de Janeiro responde por 10% das emissões de gases poluentes do Brasil.

Internações concentram parte dos casos do estado

O levantamento da Casa Fluminense contabilizou 47.424 internações hospitalares relacionadas a doenças do aparelho respiratório no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana. Esse total representa 60% das internações registradas em todo o estado.

Entre os problemas relacionados ao aparelho respiratório estão doenças como pneumonia, bronquite, asma e outras infecções. O estudo utiliza os dados para mostrar diferenças na exposição da população a fatores ambientais e nas condições de saúde entre os municípios.

A pesquisa também relaciona a poluição ao modelo de transporte adotado na região. A Casa Fluminense defende um sistema de transporte público com menor emissão de poluentes e maior utilização pela população.

Exposição à fumaça pode atingir outros órgãos

O pneumologista Rodolfo Fred Behrsin, professor do Hospital Universitário dos Servidores do Estado, da Unirio, explica que a exposição à fumaça pode provocar inflamações no sistema respiratório.

Segundo o especialista, substâncias presentes na poluição, como monóxido de carbono, enxofre e óxido nítrico, podem ser absorvidas pelas vias aéreas e atingir os pulmões e os alvéolos.

O médico também afirma que partículas pequenas presentes na poluição podem chegar à circulação sanguínea. A exposição prolongada a altas concentrações de substâncias tóxicas pode estar associada a doenças respiratórias e cardiovasculares, além de aumentar riscos para pessoas que já possuem problemas no coração ou nos pulmões.

Região Metropolitana tem maioria da população negra

O Mapa da Desigualdade também apresenta dados sobre o perfil da população da Região Metropolitana do Rio. Segundo o levantamento, 64,28% dos moradores são negros.

O percentual é superior ao registrado no estado do Rio de Janeiro, de 57,78%, e à proporção nacional, de 55,51%, de acordo com os dados reunidos no estudo.

A Casa Fluminense utiliza diferentes indicadores para apresentar desigualdades entre os municípios e regiões da área metropolitana, incluindo informações sobre saúde, condições sociais, mobilidade e exposição a problemas ambientais.

Baixada tem longos deslocamentos para o trabalho

A mobilidade também aparece entre os indicadores analisados pelo estudo. Trabalhadores de municípios da Baixada Fluminense enfrentam longos períodos no transporte entre a residência e o local de trabalho.

Em Japeri, o tempo médio de deslocamento é de 71 minutos. Em Nova Iguaçu, a média chega a 82 minutos.

Os números integram o conjunto de dados usado pela Casa Fluminense para analisar a relação entre mobilidade, condições sociais, saúde e fatores ambientais na Região Metropolitana do Rio.

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