Cerca de 1,8 mil cidades brasileiras estão em situação de alerta ou risco para a presença do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da zika. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, parte dos focos está em locais de fácil acesso, como vasos de plantas, pratos, reservatórios e outros recipientes que acumulam água dentro das residências.
No Rio de Janeiro, moradores de Botafogo, na Zona Sul, acompanham possíveis criadouros e acionam o poder público para solicitar providências. O empresário Joel Silva fiscaliza reservatórios nos telhados da vizinhança e recebe vídeos enviados por outros moradores para identificar situações que exigem atenção.
Em Pernambuco, os casos de dengue estão quase 30% acima dos registrados em 2025, e seis mortes pela doença já foram contabilizadas. A presença de água parada em recipientes domésticos continua sendo um dos principais pontos de atenção no combate ao mosquito.
Levantamento aponta presença de larvas em residências
De acordo com Rafaela Vieira Bruno, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o levantamento identificou larvas de Aedes aegypti em aproximadamente 50% das casas avaliadas.
A pesquisadora explica que o mosquito apresenta características que ajudam na identificação. Diferentemente do pernilongo comum, o Aedes aegypti tem patas listradas, um detalhe que pode ser observado a olho nu.
As larvas também apresentam uma reação à luz que pode auxiliar na identificação. Segundo Rafaela, elas tendem a se afastar quando recebem um foco luminoso, comportamento que pode indicar a presença do mosquito.
Limpeza dos recipientes ajuda a eliminar os ovos
A recomendação é verificar e limpar os recipientes que podem acumular água pelo menos uma vez por semana. A medida deve incluir vasos de plantas, pratos, reservatórios e outros objetos que possam servir de criadouro.
A água acumulada deve ser descartada em um local seco, no solo, na grama ou no cimento, evitando despejá-la no ralo ou no vaso sanitário. No entanto, apenas retirar a água não é suficiente para eliminar o risco.
A orientação da Fiocruz é esfregar e limpar o recipiente para remover possíveis ovos depositados nas superfícies. Essa etapa é importante porque os ovos podem permanecer aderidos ao recipiente mesmo depois que a água é retirada.
Queda nos casos não elimina o risco para o verão
Em todo o Brasil, os casos suspeitos e confirmados de dengue apresentaram redução aproximada de 70% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar da queda, a presença do mosquito em milhares de municípios mantém a necessidade de prevenção.
A previsão de um verão mais quente e com chuvas mais fortes em 2026, associada ao fenômeno El Niño, aumenta a preocupação com a proliferação do Aedes aegypti. Temperaturas elevadas e água acumulada favorecem o desenvolvimento do mosquito e a formação de novos criadouros.
A pesquisadora Rafaela Vieira Bruno ressalta que o combate depende da participação coletiva. A inspeção frequente de quintais, telhados, vasos e reservatórios, aliada à limpeza adequada dos recipientes, ajuda a reduzir os locais de reprodução do mosquito e a prevenir a transmissão das doenças.







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