Internautas resgataram declarações antigas do senador Flávio Bolsonaro (PL), nesta terça-feira (20), sobre a atuação de grupos milicianos no Rio. No texto, que viralizou na web, o candidato à Presidência, então deputado estadual na Assembleia Legislativa do Estado Rio de Janeiro (Alerj), se pronuncia sobre a presença de paramilitares em comunidades no estado, em 2007.
“Não se pode levar pro lado de simplesmente estigmatizar a milícia, em especial os policiais que estão envolvidos nesse novo tipo de policiamento”, afirma Flávio.
“Eu, por exemplo, senhor deputado André Corrêa, gostaria de pagar 20 reais, 30 reais, 40 reais para não ter meu carro furtado na porta de casa, para não correr o risco de ver o filho de um amigo ir para o tráfico, de ter um filho empurrado para as drogas. Pergunte a qualquer morador de uma dessas comunidades se ele quer outra coisa, se quer sair de lá, se não está feliz de poder conversar com seus vizinhos na calçada até tarde da noite! É claro que sim, porque ele sabe que não corre mais o risco de morrer”, diz.
Homenagens na Alerj
O senador já homenageou Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como uma das lideranças da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Em 2003, Flávio concedeu-lhe uma moção de louvor e, em 2005, entregou-lhe a Medalha Tiradentes — a maior honraria da Alerj — enquanto Adriano estava preso por homicídio.
Em 2004, condecorou o major Ronald Alves, cujas investigações apontaram para a liderança do grupo miliciano. Entre 2007 e 2018, Flávio empregou a mãe de Adriano da Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher do PM, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, em seu gabinete na Casa Legislativa.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram repasses financeiros dessas funcionárias para contas controladas por Fabrício Queiroz, ex-assessor do parlamentar. O Ministério Público do Rio passou a investigar um suposto esquema de “rachadinha”, em que funcionários do gabinete devolviam parte do salário, e o dinheiro era lavado por uma loja de chocolate e por investimentos em imóveis. Queiroz foi apontado como operador do esquema. Ele e Flávio negam irregularidades
Em 2008, durante seu mandato como deputado estadual, Flávio votou contra a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias na Alerj. Em plenário e em entrevistas, defendeu a atuação de grupos paramilitares em seus primórdios, argumentando que a população comunitária via os policiais como garantidores da segurança frente a facções do tráfico de drogas.
O que diz a assessoria
A assessoria do senador argumentou que as homenagens na Alerj trataram exclusivamente de autos de prisão em flagrante e relatórios operacionais fornecidos por comandantes de batalhões da PM, sem conhecimento prévio de condutas ilícitas praticadas posteriormente pelos agentes.
Informou ainda que a gestão de contratações do gabinete e a indicação de funcionários eram de responsabilidade de assessores administrativos, como Fabrício Queiroz, sem interferência ou ciência de irregularidades por parte do parlamentar.
Flávio afirma repudiar qualquer modalidade de organização criminosa ou grupo paramilitar, sustentando que “sua atuação política sempre visou o fortalecimento das forças de segurança pública legalmente constituídas”.
Em uma entrevista no Roda Vida, em 2024, disse: “Sempre tive uma atuação em defesa dos policiais. Qualquer prédio que tinha um PM que não deixava vender maconha na porta era considerado milícia. Então, naquele contexto, eu tinha uma determinada postura. É óbvio, que hoje o miliciano é considerado equivalente ao traficante de drogas. Nunca defendi que haja um poder paralelo para extorquir o trabalhador”, afirmou, na ocasião.







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