Deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que aparecem em uma planilha atribuída pela Polícia Federal ao presidente afastado da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), se manifestaram nesta sexta-feira (27) para negar a prática de qualquer ato ilícito.
O documento integra o relatório que serviu de base para o indiciamento de Bacellar. Segundo a investigação, a planilha listaria 12 parlamentares e relacionaria indicações e distribuições de cargos no governo estadual. A PF também associa essas nomeações à votação que, na Alerj, resultou no relaxamento da prisão do deputado.
Entre os citados estão o presidente em exercício da Casa, Guilherme Delaroli (PL); o líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil); Carlinhos BNH (PP); Thiago Rangel (Avante); Arthur Monteiro (União Brasil); Dr. Deodalto (PL); Felipinho Ravis (Solidariedade); Jorge Felippe Neto (Avante); Célia Jordão (PL); Tia Ju (Republicanos); Jorge Felippe Neto (Avante); e o deputado licenciado Douglas Ruas (PL), atualmente à frente da secretaria das Cidades.
Manifestação da Presidência
O presidente em exercício, Guilherme Delaroli, divulgou uma nota considerando “ilegítima” a inclusão de seu nome em planilha feita por terceiros, sem a sua participação.
“O deputado faz política nas ruas, ouvindo as demandas do povo e levando ao governo e a órgãos da administração dentro da legalidade e com respeito às instituições”, diz o comunicado.
Líder do governo
Também por meio de nota, Rodrigo Amorim afirmou que sua atuação se dá dentro das atribuições institucionais do cargo que ocupa. “Como integrante da base e atual líder do governo, é meu dever institucional manter o diálogo e participar efetivamente de ações do Executivo. É minha obrigação sugerir políticas públicas, declarou”, disse.
O deputado acrescentou que qualquer interpretação diferente desse contexto representa tentativa de criminalizar a atividade política, não havendo conhecimento por sua parte de qualquer prática ou narrativa diversa.
Desconhecimento da planilha
A deputada Tia Ju (Republicanos) informou que não ter conhecimento formal sobre a inclusão de seu nome na planilha. O documento, diz, teria sido elaborado pelo próprio Bacellar e não há registro oficial de pedido feito pela parlamentar.
De acordo com o posicionamento, a referência ao Palácio da Guanabara indicaria, em tese, uma intenção do “deputado afastado” em eventual composição de governo.
“A deputada integra a Mesa Diretora da Alerj e foi eleita juntamente com Bacellar, considerando natural que seu nome seja lembrado em contextos políticos dessa natureza”, justifica.
Ela afirma ainda que não houve qualquer manobra irregular, que a parlamentar não foi contatada para tratar de indicação de cargos e que não indicou nomes.
Atuação no interior
Júlio Rocha (Agir) também negou irregularidades. Ele afirmou que atua principalmente em municípios de pequeno porte e que “a busca por espaço político tem como objetivo ampliar oportunidades de colaboração para o desenvolvimento local.”
Segundo o deputado, a solicitação de espaço político, que ele admite, visa permitir que lideranças participem de ações e contribuam para a solução de problemas regionais.
Ele declarou que “promover o diálogo e fortalecer o interior é dever institucional do parlamentar e que qualquer alegação que extrapole esses limites configura tentativa indevida de criminalização da atividade política.”
Demandas regionais
A deputada Célia Jordão (PL) informou que a solicitação para instalação de um Posto Avançado do Batalhão de Turismo em Angra dos Reis, inaugurado em 2024, teve caráter institucional e objetivo de beneficiar o município, reconhecido pelo turismo.
A nota divulgada pela deputada menciona ainda pedidos encaminhados ao governo estadual, como obras de contenção de encostas na Vila do Abraão, na Ilha Grande, e a construção de unidades habitacionais na Monsuaba, área atingida por chuvas em 2021.
Segundo a parlamentar, cabe ao mandato encaminhar demandas da população a autoridades como o presidente da Casa Legislativa, o governador, ministros e a Presidência da República, tratando-se de políticas públicas voltadas ao interesse coletivo.
Outros citados
O deputado Carlinhos BNH (PP) também se manifestou por meio de nota e negou qualquer irregularidade relacionada à planilha mencionada no relatório da Polícia Federal.
Segundo ele, sua atuação parlamentar sempre se deu dentro dos limites institucionais do mandato e voltada ao atendimento de demandas da população. O parlamentar afirmou não ter praticado qualquer ato ilícito e que não há participação sua em eventual indicação irregular de cargos.
Até o momento, não houve manifestação pública dos demais parlamentares citados na planilha. O espaço na Agenda do Poder segue aberto para a posição de Thiago Rangel, Arthur Monteiro, Dr. Deodalto, Felipinho Ravis, Jorge Felippe Neto e Douglas Ruas.






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