PF encontra planilha de Bacellar que indica divisão de cargos do governo do Rio entre deputados da Alerj

Documento apreendido no gabinete da presidência da Assembleia detalha cargos, comandos regionais e novos pleitos atribuídos a parlamentares; defesa nega irregularidades

A Polícia Federal encontrou uma planilha atribuída ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, que detalharia o loteamento de cargos e espaços administrativos do governo estadual entre deputados aliados. O material foi apreendido durante buscas no gabinete do parlamentar e integra investigação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal.

Segundo reportagem da revista Veja, o relatório da PF aponta que o documento relaciona benefícios políticos, indicações e comandos regionais à fidelidade partidária de deputados ao grupo político liderado por Bacellar. A defesa do parlamentar sustenta que não há qualquer elemento que comprove irregularidade ou vazamento de informações.

Planilha detalha cargos já ocupados e novos pedidos

De acordo com os investigadores, a planilha contém abas que listam o que cada deputado já “possui” — como cargos e influência em órgãos — e quais seriam seus novos “pleitos” dentro da estrutura do governo estadual. A análise da PF indica que o documento permitiria mapear a articulação política na base parlamentar e a ocupação de espaços administrativos.

O relatório foi enviado no fim de janeiro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e classifica como “sensível” o teor das informações, justamente por relacionar indicações administrativas a alinhamento político.

As solicitações feitas pelos deputados e listadas na planilha

  • Célia Jordão
    • Posto avançado de Turismo em Angra dos Reis.
  • Carlinhos BNH
    • Controle de unidades do Detran e da Faetec em Queimados.
    • Fundação Leão XIII em Japeri.
    • Segurança Presente e estrutura da Fundação Leão XIII em Nova Iguçu.
  • Guilherme Delaroli
    • 15 cargos na Alerj.
    • Comando do Detran e da Faetec em Itaboraí e Rio Bonito.
  • Thiago Rangel
    • Postos do Detran e do Detro em Campos.
    • Cargos na Fundação para a Infância e Adolescência (FIA).
    • 15 vagas na Alerj.
  • Julio Rocha
    • Iterj.
    • Detran em Guapimirim e Cachoeiras de Macacu.
    • Fundação Leão XIII e Faetec em Guapimirim.
  • Rodrigo Amorim
    • Três vagas no Detran da capital.
    • Vagas na OSP e Lei Seca.
    • Cargos para compensar Ceperj.
  • Arthur Monteiro
    • Controle do Poupa Tempo em Duque de Caxias, além de postos na Fundação Leão XIII, Faetec, Detran e Ciretran.
  • Deodalto
    • OSP Paracambi, OSP Jari, Fundação Leão XIII em Japeri e Paracambi.
  • Douglas Rua
    • Cargos na Faetec e no Detran de São Gonçalo, além de obras no município.
  • Felipinho Ravis
    • Vagas na Cultura, Detran, Fundação Leão XIII e Faetec em Nova Iguaçu.
  • Jorge Felipe Neto
    • Iterj, Detran Guapimirim, Detran Cachoeiras de Macacu, Fundação Leão XIII e Faetec Guapimirim.
  • Tia Ju
    • Vagas na Secretaria de Direitos Humanos e controle do Detran e Leão XIII na capital.

Um dos pontos considerados sensíveis é o pedido de Rodrigo Amorim para “compensar o Ceperj”. A PF avalia que se trata do escândalo de desvio de mais de R$ 220 milhões da Fundação Ceperj, no qual Amorim teria indicado cargos em projetos sociais para currais eleitorais. Com o fim desse esquema, os novos pedidos seriam destinados a manter sua base política.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Bacellar afirma que não existe qualquer prova que permita atribuir ao presidente da Alerj participação em ilícitos. Em nota citada pela reportagem, os advogados sustentam que não há elemento probatório capaz de demonstrar irregularidade ou vazamento de informações.

A investigação ainda está em fase preliminar e não há denúncia formal contra os parlamentares mencionados no documento. O caso permanece sob análise do STF.

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