PF vê Mario Frias em núcleo que transferia recursos de emendas para produtora de ‘Dark Horse’

Polícia Federal afirma que deputado mantém relação com empresas beneficiadas e aponta tentativas de mascarar evidências após fiscalizações da CGU

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A Polícia Federal (PF) apontou o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como integrante do chamado “núcleo político” de um grupo investigado por suspeita de desviar recursos de emendas parlamentares para uma produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirmou que Frias mantém “relação próxima com diversos personagens e empresas beneficiadas pelos recursos públicos”. O pedido resultou na operação deflagrada nesta quinta-feira.

Recursos públicos e produtora do filme

Segundo a investigação, a continuidade da atuação da organização sob suspeita estaria evidenciada pelo alto volume de recursos de origem pública movimentado nas contas do Instituto Conhecer Brasil, ligado a Karina Gama. Ela é sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme sobre Bolsonaro.

A PF também afirma ter identificado tentativas de mascarar evidências de fraude depois do início das fiscalizações realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU). A investigação aponta relações entre o envio de emendas parlamentares a ONGs ligadas a Karina e o pagamento de despesas relacionadas à produção cinematográfica.

Transferências e gastos durante as gravações

Um relatório de inteligência financeira do Coaf sobre a Go Up Entertainment, referente ao período entre outubro e novembro de 2025, registra transferências atribuídas a Mario Frias que somaram R$ 645,4 mil, segundo a representação policial.

A PF destacou ainda a coincidência entre o período das movimentações financeiras e as gravações de Dark Horse, realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. Entre as despesas analisadas estão pagamentos de hotéis de alto padrão, alimentação e serviços de produtoras.

Para os investigadores, a coincidência temporal e a natureza dos gastos chamaram a atenção e passaram a integrar os elementos analisados no inquérito que apura o possível uso irregular de recursos públicos.

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