PF coloca senador Weverton Rocha sob suspeita de tentar interferir em investigação de homicídio no Maranhão

Polícia Federal aponta contatos frequentes do parlamentar com ministro do STJ durante a apuração do caso; Flávio Dino retirou o sigilo de parte das decisões do inquérito no STF.

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A Polícia Federal colocou o senador Weverton Rocha (PDT-MA) sob suspeita de tentar interferir nas investigações sobre o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022, no Maranhão. As suspeitas constam de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e tiveram parte de seu conteúdo tornada pública nesta sexta-feira (14) pelo ministro Flávio Dino. Segundo a PF, a análise do celular do parlamentar revelou contatos frequentes com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável pelo caso durante parte da investigação.

Segundo a PF, a suspeita é de que Weverton tenha buscado influenciar o andamento da investigação para impedir que ela alcançasse integrantes do grupo político do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), também investigado no caso. O senador nega qualquer irregularidade e afirma que a investigação representa uma “forçação de barra”.

O que diz a investigação

As conclusões da Polícia Federal tiveram como base a análise do telefone celular de Weverton Rocha, apreendido anteriormente em outra investigação. Com autorização do STF, os dados foram compartilhados com o inquérito que apura o homicídio ocorrido em São Luís.

De acordo com a PF, foram identificadas mensagens, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de arquivos entre o senador e o ministro Humberto Martins entre janeiro de 2023 e outubro de 2025.

Os investigadores afirmam que o conteúdo das conversas demonstra uma relação próxima entre ambos e apontam que o parlamentar teria tratado de processos sob relatoria do ministro. Também foi registrado um encontro entre os dois no gabinete de Humberto Martins em agosto de 2025.

Um dos episódios destacados ocorreu em 2 de junho de 2025, data em que o ministro determinou a transferência do condenado Gilbson César Soares Cutrim Júnior para um presídio federal em Brasília. Na mesma data, houve troca de mensagens e uma ligação entre Weverton e Humberto Martins, fato considerado relevante pela Polícia Federal.

Apesar das suspeitas envolvendo as conversas, Humberto Martins não é investigado. Procurado pela imprensa ele informou que não comentará o caso.

Como surgiu o inquérito

O processo investiga se o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022, teria ligação com um suposto esquema de cobrança de propina envolvendo contratos públicos no Maranhão.

Inicialmente, a Justiça maranhense condenou Gilbson Cutrim como executor do crime. Posteriormente, as investigações passaram a apurar se o homicídio estaria relacionado à disputa por recursos provenientes de contratos públicos e de emendas parlamentares.

Com o surgimento de indícios envolvendo Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) e sobrinho do governador Carlos Brandão, o caso passou para o STJ. Mais tarde, diante das suspeitas envolvendo o senador Weverton Rocha, o processo foi encaminhado ao STF, onde passou à relatoria do ministro Flávio Dino.

PF aponta tentativa de obstrução

A Polícia Federal também investiga uma suposta atuação para impedir o avanço das investigações.

Segundo os investigadores, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim teria procurado familiares do condenado pelo assassinato para tentar alterar depoimentos que mencionavam integrantes da família Brandão. A PF afirma que ele teria oferecido dinheiro e outras vantagens para retirar esses nomes da investigação.

Raimundo Cutrim está em prisão domiciliar por decisão do STF e também foi alvo de busca e apreensão em outra investigação conduzida pela Polícia Federal. Ele nega qualquer irregularidade.

Nas decisões divulgadas nesta sexta-feira, Flávio Dino manteve medidas relacionadas ao avanço das investigações.

Repercussão

Após gravar material de campanha com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Weverton Rocha afirmou que o assunto não foi tratado durante o encontro e voltou a negar qualquer tentativa de interferência.

“O tema é uma forçação de barra. Repudio totalmente e vou manter o foco na minha campanha”, declarou.

Questionado sobre a atuação de Flávio Dino na relatoria do processo, o senador disse que não faria julgamento sobre eventual impedimento do ministro.

O governador Carlos Brandão criticou a divulgação das decisões e sustentou que os fatos envolvendo governadores devem ser analisados pelo STJ, em razão do foro competente. Em nota, também afirmou ter recebido com surpresa a retirada do sigilo do processo.

A assessoria de Flávio Dino respondeu que o ministro não participa de debates políticos desde que assumiu o cargo no STF e se manifesta apenas nos processos sob sua relatoria.

Daniel Brandão também negou qualquer participação nos fatos investigados. Em nota divulgada anteriormente, afirmou que seu nome vem sendo associado ao caso sem provas e atribuiu as acusações a disputas políticas no estado.

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