O programa Desenrola 2, lançado pelo governo Lula para renegociação de dívidas, começou a ganhar força entre os brasileiros endividados e já aparece como uma das principais apostas econômicas do Planalto para este ano. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (21) mostra que 68% das pessoas com dívidas acreditam que serão beneficiadas diretamente pela nova etapa do programa.
O levantamento também aponta que 82% dos endividados avaliam que o Desenrola 2 terá impacto positivo para a economia brasileira como um todo. O percentual supera até mesmo os índices de aprovação do próprio governo Lula entre esse público.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros entre os dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Pacote para aliviar dívidas
O Desenrola 2 foi lançado oficialmente no último dia 4 de maio e faz parte do pacote econômico do governo federal voltado à recuperação do consumo e ao combate à inadimplência.
O programa permite renegociação de dívidas com descontos que podem chegar a 90%, além de juros limitados a 1,99% ao mês. Também foi autorizado o uso de recursos do FGTS para ajudar no pagamento das dívidas renegociadas.
Segundo o governo, já foram renegociados cerca de R$ 10 bilhões em dívidas bancárias desde o início da nova etapa do programa. Para garantir as operações, o Planalto anunciou aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações, administrado pelo Banco do Brasil.
Além disso, trabalhadores poderão usar até 20% do saldo disponível no FGTS ou até R$ 1 mil, o que for maior, para quitar ou reduzir dívidas bancárias renegociadas.
Jovens lideram otimismo
O levantamento do Datafolha mostra que o apoio ao programa é ainda maior entre os mais jovens. Na faixa entre 25 e 34 anos, 60% acreditam que o Desenrola 2 será benéfico para as finanças pessoais. Entre pessoas com mais de 60 anos, o percentual cai para 42%.
Moradores do Nordeste e eleitores do presidente Lula também aparecem entre os grupos mais otimistas com o programa.
Entre os entrevistados que afirmam votar em Lula, 64% acreditam que terão benefícios pessoais com o Desenrola 2. Já entre eleitores de Flávio Bolsonaro, esse percentual fica em 44%.
Endividamento recorde
O avanço do programa acontece num cenário de forte aperto financeiro das famílias brasileiras. O Datafolha mostra que 47% dos brasileiros afirmam possuir algum tipo de dívida, incluindo empréstimos, financiamentos, cartão de crédito e cheque especial.
Entre os endividados, 62% relatam que já possuem contas atrasadas ou estão em situação de inadimplência.
Dados do Banco Central apontam que o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda em fevereiro, o maior nível desde o início da série histórica, em 2005.
Já a Serasa estima que o país possui atualmente 83,3 milhões de brasileiros com o nome negativado. As maiores dívidas estão ligadas a bancos, contas básicas como água e energia, financeiras e serviços.
Programa vira trunfo político
Nos bastidores de Brasília, integrantes do governo veem o Desenrola 2 como uma das principais vitrines econômicas da gestão Lula neste ano eleitoral.
A estratégia do Planalto é tentar melhorar a percepção da população sobre a economia a partir do alívio das dívidas e do aumento do consumo.
Apesar do otimismo captado pela pesquisa, o programa ainda enfrenta desafios operacionais. Parte dos bancos demorou para aderir completamente ao sistema por conta das garantias financeiras contra calotes e limitações para renegociações parceladas.
Mesmo assim, o governo aposta que a ampliação das renegociações e o uso do FGTS devem aumentar a adesão nas próximas semanas.






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