Desenrola 2.0 amplia regras e permite acesso ao FGTS apenas para pagamento integral dos débitos

Novo programa do governo Lula prevê descontos de até 80% para quitar dívidas e limite de juros menor

O governo federal deve lançar nos próximos dias o programa Desenrola 2.0, uma nova etapa da iniciativa voltada à renegociação de dívidas de brasileiros inadimplentes. A proposta traz mudanças relevantes em relação à versão anterior, incluindo a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) sob condições específicas.

De acordo com informações apuradas junto ao Ministério da Fazenda pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, o trabalhador só poderá utilizar os recursos do FGTS caso o saldo disponível seja suficiente para quitar integralmente a dívida. A medida não permite o uso parcial do fundo para amortização de débitos.

Uso do FGTS terá restrições

Na prática, isso significa que o acesso ao FGTS será condicionado ao valor total da dívida. Em um exemplo: se uma pessoa deve R$ 2 mil e possui esse montante disponível no fundo, poderá utilizar o recurso. No entanto, se o débito for superior ao saldo, como R$ 2.500 diante de um valor menor disponível, o uso do FGTS não será autorizado.

A inclusão dessa possibilidade chegou a ser questionada sob o ponto de vista jurídico, mas o Ministério da Fazenda afirma que o mecanismo será permitido dentro das regras estabelecidas pelo programa.

Negociação com bancos busca ajustes finais

O ministro da Fazenda, Dario Durignan, tem reunião prevista nesta segunda-feira (28) com representantes de instituições financeiras em São Paulo. O encontro busca alinhar pontos ainda em discussão, especialmente relacionados à taxa de juros aplicada nas renegociações.

O governo já indicou a intenção de reduzir o teto de juros para 1,99% ao mês, abaixo dos 2,5% inicialmente previstos. A reunião deve tratar diretamente desse ajuste, considerado estratégico para ampliar a adesão ao programa.

Descontos e garantia do governo

Um dos pilares do Desenrola 2.0 é a oferta de descontos que podem chegar a até 80% sobre o valor das dívidas. Em contrapartida, o governo federal atuará como garantidor das operações.

Isso significa que, caso o devedor não consiga cumprir o acordo firmado com a instituição financeira, o Tesouro Nacional poderá assumir o pagamento da dívida, reduzindo o risco para os bancos e incentivando condições mais favoráveis de negociação.

Público-alvo e impacto econômico

O programa será direcionado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. A iniciativa mira principalmente famílias de baixa renda, que concentram grande parte do endividamento no país.

Para o governo, o alto nível de inadimplência é visto como um fator que impacta diretamente a economia e também o ambiente político. A dificuldade dessas famílias em reorganizar suas finanças tem sido apontada como um dos desafios para a recuperação da aprovação da atual gestão.

Cenário político e avaliação do governo

Dados recentes do Datafolha indicam estabilidade na avaliação negativa do governo Lula, em 40%, segundo pesquisa divulgada em abril. Já a avaliação positiva recuou de 32% para 29% em comparação com o levantamento anterior, realizado no início de março.

A parcela que considera o governo regular subiu de 26% para 29%. A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 9 de abril, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Nesse contexto, programas como o Desenrola 2.0 são vistos como instrumentos relevantes tanto para estimular a economia quanto para melhorar a percepção pública sobre a gestão federal.

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