RICARDO BRUNO
Para além dos números, a mais recente pesquisa do Instituto Paraná revela o potencial das candidaturas ao Senado em um cenário absolutamente aberto após a saída de Cláudio Castro do páreo. O dado mais eloquente é a surpreendente posição do deputado Pedro Paulo, que, a depender dos adversários, oscila entre 20,7% e 22,9% das intenções de voto.
No cenário mais realista — sem Marcelo Crivella, cuja candidatura é improvável, dada a inelegibilidade decorrente de condenação no TRE —, Pedro Paulo aparece em segundo lugar, em empate técnico com Márcio Canella, atrás apenas da líder Benedita da Silva.
Os recortes da pesquisa evidenciam a enorme potencialidade eleitoral do parlamentar. Pedro Paulo alcançou essa posição confortável sem sequer confirmar a candidatura. Trata-se, portanto, de uma manifestação quase espontânea do eleitorado a seu favor. O nome parece se impor pela base antes mesmo de ser anunciado. Cresce ao revés de qualquer movimentação.
Se, parado, já chega ao segundo lugar, as perspectivas de vitória mostram-se bastante promissoras. Pedro Paulo reúne alguns atributos que podem impulsionar com vigor seu crescimento no curso da campanha. Entre eles:
• É muito próximo de Eduardo Paes, líder na disputa pelo Governo do Estado. Historicamente, candidaturas bem-sucedidas ao Palácio Guanabara costumam tracionar o candidato ao Senado da mesma chapa.
• Hoje, Benedita da Silva concentra o voto de parcela significativa dos eleitores de Eduardo Paes. Com a confirmação da candidatura, Pedro Paulo tende a avançar sobre esse contingente. Nenhum outro nome expressa com tanta fidelidade as posições do grupo político liderado pelo ex-prefeito carioca.
• Pedro Paulo, portanto, tem potencial para se consolidar rapidamente como o primeiro voto dos eleitores de Eduardo Paes e o segundo voto de muitos dos que preferem Benedita da Silva, apesar de suas posições mais liberais na economia.
• Se diverge da esquerda em temas econômicos, aproxima-se desse campo pela defesa intransigente da democracia. Em um ambiente de forte polarização, esse perfil lhe permite dialogar com segmentos identificados com pautas progressistas. No PT, por exemplo, mantém interlocução com diferentes correntes, de Lindbergh Farias a Washington Quaquá. O prefeito de Maricá, inclusive, não esconde de ninguém sua simpatia pelo deputado.
• Com a saída de Cláudio Castro, o parlamentar do PSD tem ainda espaço para avançar na centro-direita. Seu histórico liberal — intransigente defensor do equilíbrio fiscal — lhe confere credenciais para conquistar parte desse eleitorado.
Sem juízo de valor sobre as demais candidaturas, Pedro Paulo desponta hoje como o nome de maior potencial na disputa pelo Senado.
- Ricardo Bruno é editor-chefe da Agenda do Poder







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