Paes reúne prefeitos da Baixada, recebe apoio de Mariana Canella e mira vitória no primeiro turno

Candidato faz demonstração de força em Nova Iguaçu com oito prefeitos e dois ex-prefeitos; adesão de Mariana Canella amplia arco político enquanto situação de Garotinho no TSE pode interferir na definição da eleição

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A dois dias da eleição, Eduardo Paes (PSD) levou a campanha nesta sexta-feira (2) para a Baixada Fluminense e reuniu oito prefeitos e dois ex-prefeitos da região em uma caminhada pelas ruas de Nova Iguaçu. O ato, realizado debaixo de chuva, serviu como demonstração da capilaridade política construída pelo candidato em alguns dos municípios mais populosos do estado na reta final da disputa pelo Palácio Guanabara.

A principal novidade foi a presença da prefeita de Belford Roxo, Mariana Canella (União Brasil), que até então havia mantido neutralidade na eleição estadual. Ela integra o grupo político liderado por Márcio Canella (União Brasil), que chegou a ser anunciado como candidato ao Senado na chapa encabeçada por Douglas Ruas (PL), mas deixou a composição e decidiu não apoiar oficialmente nenhum candidato ao governo naquele momento. A presença de Mariana ao lado de Paes consolidou uma aproximação que vinha sendo articulada nos bastidores.

“Tenho certeza de que dia 4 você sairá com essa vitória, e meu voto é seu”, afirmou Mariana durante para Paes.

Prefeitos fecham fileira com Paes

Participaram da caminhada os prefeitos Dudu Reina, de Nova Iguaçu; Netinho Reis, de Duque de Caxias; Mariana Canella, de Belford Roxo; Jamile Cozzolino, de Magé; Glauco Kaiser, de Queimados; Andrezinho Ceciliano, de Paracambi; Fernanda Ontiveros, de Japeri; e Léo Vieira, de São João de Meriti.

Os ex-prefeitos Rogério Lisboa, de Nova Iguaçu, e Washington Reis, de Duque de Caxias, também participaram da mobilização. Já Haroldinho, prefeito de Itaguaí, e Professor Lucas, de Seropédica, declararam apoio à candidatura do PSD, ampliando o grupo de gestores municipais alinhados a Paes na Baixada.

Ao lado das lideranças, Paes percorreu a Avenida Nilo Peçanha até a Praça Rui Barbosa. O candidato afirmou que pretende governar em parceria com as prefeituras, independentemente da filiação partidária dos gestores.

“São prefeitos e lideranças de diferentes partidos, gente que conhece de perto os problemas de cada cidade. Isso aumenta ainda mais a minha responsabilidade com a Baixada”, declarou.

Paes também voltou a prometer investimentos em segurança pública, combate às enchentes e mobilidade. Entre as propostas citadas estão um novo batalhão em Nova Iguaçu, apoio para forças municipais de segurança, sistemas de câmeras inteligentes, obras de macrodrenagem e expansão do BRT e do metrô.

Situação de Garotinho entra na conta do primeiro turno

A caminhada ocorre enquanto Paes tenta transformar a liderança das pesquisas em uma definição da eleição já no primeiro turno. O Datafolha mais recente, divulgado nesta quinta-feira (1º), mostra Paes com 42% dos votos totais, Douglas Ruas com 31% e Anthony Garotinho (Republicanos) com 7%. Nos votos válidos, Paes registra 47%, Ruas, 35%, e Garotinho, 8%. A pesquisa ouviu 1.204 eleitores entre 28 de setembro e 1º de outubro e tem margem de erro de três pontos percentuais.

A situação jurídica de Garotinho, portanto, pode interferir diretamente no cálculo do primeiro turno. O TRE-RJ indeferiu seu registro, mas o ex-governador recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral. O TSE permitiu provisoriamente que ele continuasse fazendo campanha enquanto o mérito do recurso não é decidido.

Caso o indeferimento se torne definitivo e os votos atribuídos a Garotinho sejam anulados, o novo cálculo dos votos válidos pode alterar a definição sobre a necessidade de segundo turno. O Datafolha de 24 de setembro, por exemplo, havia testado um cenário sem Garotinho e apontado Paes com 52% dos votos válidos e Ruas com 35%.

Em Nova Iguaçu, Paes defendeu uma decisão rápida do TSE. “É importante que o TSE decida, mas a gente confia na Justiça, e os advogados saberão fazer isso”, afirmou.

Baixada ganha peso na reta final

A opção pela Baixada também ocorreu no mesmo período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fazia uma caminhada entre a Candelária e a Cinelândia, no Centro do Rio. Paes não participou da mobilização presidencial e concentrou sua agenda no encontro com os prefeitos.

A adesão de Mariana Canella ganhou peso adicional pela origem política do grupo ao qual pertence. Ao atrair uma liderança ligada a um aliado que havia integrado a composição eleitoral de Ruas, Paes amplia nesta reta final um arco de apoios que reúne políticos de diferentes partidos e campos eleitorais.

O movimento ocorre em um cenário no qual a vantagem de Paes diminuiu nas pesquisas recentes. Na Quaest divulgada em 29 de setembro, ele aparecia com 34%, contra 25% de Ruas e 9% de Garotinho. O levantamento ouviu 1.302 eleitores entre 25 e 28 de setembro e tem margem de erro de três pontos.

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