Líder nas pesquisas para o Senado no Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) entrou nos últimos dias de campanha com um objetivo específico: conquistar o segundo voto do eleitor. A estratégia tenta corrigir uma diferença apontada pelos levantamentos entre o desempenho da petista como primeira escolha e sua presença na segunda opção para uma das duas vagas em disputa neste domingo (4).
A orientação da campanha agora é reforçar que cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes para o Senado. Desde quinta-feira (1º), uma publicação de Benedita pedindo explicitamente o “primeiro ou segundo voto” passou a ser impulsionada nas redes sociais com a intenção de alcançar também eleitores fora do campo tradicional da esquerda.
A estratégia foi recomendada pelo marqueteiro Marcus Di Flora, que participa pela terceira vez consecutiva de uma campanha eleitoral da petista. O diagnóstico é que Benedita conseguiu consolidar uma parcela importante do eleitorado como primeira opção, mas ainda existe espaço para ampliar sua presença entre aqueles que já escolheram outro candidato para o primeiro voto.
Primeiro e segundo voto mostram diferença
A preocupação ficou evidente no Datafolha divulgado em 24 de setembro. Quando os entrevistados indicavam somente a primeira escolha para o Senado, Benedita alcançava 31%, mais que o dobro de Carlos Jordy (PL), que aparecia com 14%. Carlos Portinho (PL) tinha 10%, Marcelo Crivella (Republicanos), 8%, e Pedro Paulo (PSD), 7%.
No segundo voto, porém, o cenário mudava significativamente. Portinho liderava com 14%, enquanto Pedro Paulo e Jordy registravam 10% cada. Mônica Benício (PSOL) aparecia com 9% e Benedita caía para 6%. Crivella tinha 5%. Nesse recorte, 16% ainda estavam indecisos e outros 16% declaravam voto branco, nulo ou em nenhum candidato.
É justamente essa diferença que a campanha tenta diminuir na reta final. Em vez de buscar somente eleitores dispostos a colocar Benedita como primeira escolha, a comunicação procura apresentar a petista também como alternativa para quem já definiu um candidato de outro partido ou campo político.
Benedita lidera, mas segunda vaga segue disputada
A rodada mais recente do Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (1º), mantém Benedita numericamente à frente na disputa geral, com 19% das intenções de voto. Carlos Jordy e Carlos Portinho aparecem com 13% cada. Pedro Paulo registra 8%, Mônica Benício tem 7% e Marcelo Crivella, 5%. Considerada a margem de erro de três pontos percentuais, há empate técnico entre candidatos na faixa superior da disputa.
Outro levantamento divulgado nesta sexta-feira (2), do instituto Gerp, também coloca Benedita na liderança. Nesse levantamento, que permite ao entrevistado indicar dois nomes, a petista registra 45%, Portinho tem 27%, Jordy, 24%, e Pedro Paulo, 20%. Foram ouvidas 1.200 pessoas entre 29 e 30 de setembro. A margem de erro é de 2,9 pontos percentuais.
A Prefab Future também havia apontado Benedita na frente, com 27,2%, seguida por Jordy, com 13,5%; Pedro Paulo, 13%; Crivella, 12,8%; e Portinho, 11,9%.
Indecisos são alvo na reta final
O número de eleitores que ainda não definiu os dois votos ajuda a explicar a ofensiva das campanhas nos últimos dias. No Datafolha mais recente, 49% dos entrevistados não souberam indicar espontaneamente um candidato ao Senado. Benedita foi mencionada espontaneamente por 13%, enquanto Jordy e Portinho tiveram 5% cada e Pedro Paulo e Mônica Benício, 4%.
A indecisão já vinha aparecendo em patamares elevados. Na pesquisa Datafolha realizada entre 22 e 24 de setembro, 56% não indicavam espontaneamente nenhum nome. No Paraná Pesquisas do mesmo período, a taxa chegava a 68,6%.
Com duas vagas disponíveis e uma parcela expressiva do eleitorado ainda sem definir completamente suas escolhas, a campanha de Benedita aposta que o segundo voto pode ser decisivo. A ordem nesta reta final, portanto, é ultrapassar a fronteira do eleitorado progressista e tentar transformar a liderança nas pesquisas em votos nas duas posições da cédula eleitoral.







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