Ronnie Lessa é condenado a 26 anos por lavagem de dinheiro no Rio

Ex-PM, já condenado pelas mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes, teve bens e dinheiro apreendidos decretados como perdidos pela Justiça a pedido do MPRJ

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Ronnie Lessa foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão por lavagem de dinheiro. A sentença, obtida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), foi proferida na terça-feira (29), pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa. O ex-policial militar já cumpre pena pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A Justiça também determinou, a pedido do MPRJ, a perda de R$ 61.293 apreendidos em dinheiro na residência de Lessa, além de uma lancha e dois terrenos localizados em Angra dos Reis. O imóvel na Barra da Tijuca, avaliado em mais de R$ 800 mil, não foi incluído na decisão de perda porque havia sido abrangido por um acordo de colaboração premiada firmado pelo ex-PM.

Contas de terceiros eram usadas para ocultar valores

Segundo a denúncia apresentada pela Força-Tarefa do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado para o caso Marielle Franco e Anderson Gomes (GAECO/FTMA), Lessa utilizava contas bancárias de terceiros para esconder o recebimento de valores de origem ilícita.

A investigação apontou que os recursos eram incompatíveis com a remuneração recebida por Lessa como servidor público, cuja renda líquida mensal era de aproximadamente R$ 7 mil. De acordo com o MPRJ, o ex-policial usou o nome do irmão para adquirir o imóvel na Barra da Tijuca e também movimentou recursos por meio das contas do irmão e de um amigo.

MPRJ apontou origem ilícita dos recursos

Na decisão, o Juízo acolheu os argumentos da Força-Tarefa de que Lessa utilizou essas contas para adquirir o imóvel e a lancha. Ainda segundo a denúncia, os depósitos incluíam valores obtidos irregularmente em atividades ilícitas realizadas para terceiros e na venda não autorizada de armas de fogo.

Criada em 2021, a GAECO/FTMA teve sua atuação prorrogada pela Procuradoria-Geral de Justiça até 11 de setembro deste ano, com a finalidade de aprofundar as investigações sobre os assassinatos de Marielle e Anderson, ocorridos em 2018.

Força-Tarefa obteve outras condenações

Durante sua atuação, a Força-Tarefa também obteve a condenação de Lessa a 78 anos de prisão e de Élcio de Queiroz a 59 anos pelas mortes de Marielle e Anderson. Os dois ex-policiais foram apontados como responsáveis pela execução do crime.

O grupo ainda conseguiu a condenação de Edilson Barbosa dos Santos, conhecido como Orelha, a cinco anos de prisão por ocultar o veículo utilizado no assassinato. Já o ex-PM Rodrigo Ferreira, o Ferreirinha, e a advogada Camila Nogueira foram condenados a quatro anos de prisão por obstrução das investigações.

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