O apoio do grupo político de Márcio Canella (União Brasil) a Eduardo Paes (PSD), explicitado nesta sexta-feira (2) pela participação da prefeita de Belford Roxo, Mariana Canella, em um ato com o candidato ao Governo do Rio, abriu uma nova frente de tensão na reta final da campanha. Nos bastidores políticos, o movimento não teve boa recepção entre integrantes da ala bolsonarista, que historicamente mantém interlocução com lideranças do grupo de Canella.
Mariana participou, em Nova Iguaçu, do encontro que reuniu Paes e prefeitos da Baixada Fluminense. Até então, a prefeita havia se mantido neutra na eleição estadual. Sua presença foi interpretada como um gesto político do grupo comandado por Márcio Canella, presidente estadual do União Brasil.
A leitura feita por setores bolsonaristas ouvidos nos bastidores é de que o movimento aproxima o grupo, ainda que indiretamente, de uma candidatura apoiada por partidos que integram a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa interpretação, porém, é política: a presença de Mariana ao lado de Paes não significa, por si só, apoio formal a Lula.
Relação com Lula vira terreno para disputa de narrativas
A ligação de Paes com Lula já vinha sendo explorada na campanha. No debate realizado no início desta semana, adversários cobraram do candidato do PSD maior clareza sobre o apoio recebido do presidente, enquanto Douglas Ruas (PL) buscou reforçar sua proximidade com Flávio Bolsonaro.
É nesse ambiente que o movimento de Mariana Canella ganhou uma dimensão além da eleição estadual. Nos bastidores, setores ligados a partidos que apoiam Lula procuram apresentar a adesão de lideranças da Baixada a Paes como evidência de ampliação do campo político que mantém diálogo com o presidente.
A estratégia encontra, entretanto, um contraponto importante nos números eleitorais do estado. Pesquisa Gerp divulgada nesta sexta-feira mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula entre os eleitores fluminenses: são 48% dos votos válidos para o candidato do PL e 40% para o petista. Na estimulada, Flávio registra 44%, contra 37% de Lula.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores nos dias 29 e 30 de setembro, tem margem de erro de 2,9 pontos percentuais e nível de confiança de 95,55%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número RJ-02100/2026.
Baixada ganha peso na reta final
A presença de Mariana reforçou a demonstração de apoio de prefeitos da Baixada a Paes. Também participaram do encontro Dudu Reina, Netinho Reis, Léo Vieira, Jamile Cozzolino, Glauco Kaizer, Fernanda Ontiveros e Andrezinho Ceciliano, além de outras lideranças políticas.
Para o grupo de Canella, o movimento envolve um cálculo político particularmente sensível: aproximar-se de Paes na eleição estadual sem necessariamente assumir alinhamento com Lula na disputa presidencial. Para bolsonaristas, entretanto, a fotografia desta sexta-feira fornece material para questionar essa separação. Do outro lado, aliados do presidente tentam justamente aproximar as duas imagens e transformar adesões regionais a Paes em sinal de maior capilaridade política do campo governista no Rio.







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