Em meio à disputa pela Presidência da República e à tentativa de ampliar seu eleitorado à época, posições defendidas por Flávio Bolsonaro (PL) em um livro publicado há quase uma década voltaram ao centro do debate eleitoral. Na biografia que escreveu sobre o pai, Jair Bolsonaro (PL), lançada em 2017, o atual candidato à Presidência negou que tenha ocorrido um golpe militar em 1964, elogiou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e colocou sob suspeita a segurança das urnas eletrônicas.
A obra, de quase 200 páginas, reúne ainda manifestações de Flávio sobre segurança pública, direitos humanos e o massacre do Carandiru. O livro foi escrito anos antes de o senador assumir o papel de candidato presidencial do PL e contrasta com a estratégia atual de projetar uma imagem mais moderada que a historicamente associada ao pai. As informações são do jornal Folha de São Paulo.
Flávio nega golpe de 1964
Ao abordar o regime militar, Flávio contesta a interpretação de que a deposição do então presidente João Goulart tenha resultado de um golpe. No livro, questiona essa classificação e critica a maneira como o período é apresentado em materiais didáticos.
O candidato também afirma que os militares deveriam ser considerados “heróis nacionais” por, segundo sua interpretação, terem impedido que o país se transformasse em uma ditadura socialista. Ao tratar da Comissão Nacional da Verdade, classifica a iniciativa como revanchista.
Outro trecho envolve Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi de São Paulo durante a ditadura. Ao comentar a homenagem feita pelo pai a Ustra durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff, Flávio o descreveu como “um homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”.
A Comissão Nacional da Verdade registrou a responsabilidade de Ustra por graves violações de direitos humanos. Em processo relacionado à morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, uma sentença judicial também reconheceu sua responsabilidade pelas torturas que antecederam a morte.
Carandiru e direitos humanos
O livro também registra posições de Flávio sobre o massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, quando 111 presos foram mortos durante uma intervenção da Polícia Militar de São Paulo.
Flávio sustenta que os policiais agiram em legítima defesa e questiona quantos crimes poderiam ter sido cometidos posteriormente pelos presos mortos caso retornassem à sociedade. Na mesma discussão sobre segurança pública, afirma que a prisão não teria como função recuperar criminosos.
Em outra passagem, procura justificar críticas do pai às políticas de direitos humanos, afirmando que existe na sociedade a percepção de que elas serviriam para proteger criminosos.
Desconfiança sobre urnas aparece no livro
As urnas eletrônicas são outro tema abordado por Flávio em 2017. O então deputado estadual escreveu que as suspeitas sobre o sistema teriam aumentado ao longo dos anos e questionou como seria possível demonstrar que não houve fraude. Também defendeu a adoção de comprovante impresso do voto.
O tema continua presente no discurso político do candidato. Em setembro deste ano, Flávio anunciou que pretendia recrutar apoiadores para atuar como fiscais no dia da eleição e voltou a lançar dúvidas sobre o processo eleitoral.
Assessoria defende conteúdo da obra
Procurada pelo jornnal Folha de S.Paulo sobre as posições registradas no livro, a assessoria de Flávio não respondeu individualmente aos pontos levantados. Em nota, afirmou que a obra relata episódios da trajetória de Jair Bolsonaro e apresenta valores compartilhados pelo filho.
Segundo a manifestação, esses valores incluem “a defesa da democracia, da família, das liberdades de pensamento e econômica”. A assessoria também afirmou que a biografia retrata Jair Bolsonaro como defensor da soberania nacional e da Constituição.






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