Número de mortes chega a 121 após corpos serem achados na Penha

Mais de 60 corpos foram encontrados por moradores em área de mata no dia seguinte à operação policial mais letal do Rio

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Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte, retiraram ao menos 72 corpos de uma área de mata na manhã desta quarta-feira (29) no dia seguinte à operação mais letal da história do Rio. Com isso, o número de óbitos já chega em 121.

Os corpos foram levados para a Praça São Lucas, na Estrada João Lucas, uma das principais vias da região. Segundo testemunhas, as pessoas mortas foram encontradas em buscas na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos na noite desta terça-feira. Moradores afirmam que ainda há corpos na Vacaria, outra área de confrontos.

O ativista Raull Santiago ajudou a retirar os corpos da mata e tem publicado informações do caso nas suas redes sociais. “Mais lonas foram esticadas para dar conta dos corpos que estão sendo encontrados”, escreveu em sua última postagem, com uma imagem da lona estendida no chão.

Quatro policiais estão entre as vítimas fatais e outros nove se feriram no tiroteio nos conjuntos de favelas apontados pelas autoridades como o principal reduto do Comando Vermelho, principal facção criminosa em atuação no Rio.

A ação causou desdobramentos políticos e de autoridades no país. A Defensoria Pública apontou violações e abusos. O governo federal mandará uma comitiva ao Rio para discutir a Segurança Pública após o governo Lula convocar a cúpula às pressas para uma reunião de emergência. Já a Câmara dos Deputados decidiu antecipar a análise da PEC da Segurança. Cláudio Castro, governador do Rio, solicitou o envio de dez líderes presos para unidades de segurança máxima, pedido atendido pelo governo federal.

No exterior, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos pede que as mortes sejam investigadas de forma rápida. “Estamos horrorizados com a operação policial em andamento nas favelas do Rio de Janeiro”, disse a entidade nas redes sociais. “O Rio precisa de uma nova política de segurança pública, que pare de estimular confrontos que vitimizam moradores e policiais”, afirmou a ONG Human Rights Watch.

A ação tinha como objetivo garantir o cumprimento de 100 mandados de prisão de pessoas ligadas ao crime organizado. Entre elas, Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como o líder da facção nas ruas. Em meio à escalada da violência da operação, o Disque Denúncia passou a oferecer recompensa de R$ 100 mil por informações sobre o seu paradeiro. É o maior valor pago pelo programa desde a divulgação do cartaz com o rosto de Fernandinho Beira-Mar, líder do CV preso pela primeira vez em 2001.

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