O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta terça-feira (28) que pediu ao governo federal a transferência imediata de dez líderes do crime organizado para presídios de segurança máxima. Segundo o governador, esses detentos continuam a dar ordens para ataques e operações criminosas de dentro do sistema prisional fluminense. O pedido foi atendido pelo governo.
Os pedidos de transferência:
Wagner Teixeira Carlos (Waguinho de Cabo Frio)
Rian Maurício Tavares Mota (Da Marinha)
Roberto de Souza Brito (Irmão Metralha)
Arnaldo da Silva Dias (Naldinho)
Alexander de Jesus Carlos (Choque / Coroa)
Leonardo Farinazzo Pampuri (Léo Barrão)
Marco Antônio Pereira Firmino (My Thor)
Fabrício de Melo de Jesus (Bichinho)
Carlos Vinícius Lirio da Silva (Cabeça do Sabão)
Eliezer Miranda Joaquim (Criam)
Castro afirmou ter recebido um relatório das polícias Civil e Penal com os nomes das dez maiores lideranças do tráfico que, mesmo presas, “ajudaram a provocar o terror” em todo o estado. “Tomei a decisão, acreditando que política de segurança pública se faz com diálogo e integração, de pedir ao governo federal 10 vagas para transferência imediata desses 10 criminosos de maior periculosidade”, declarou o governado
Críticas ao governo federal
Durante entrevista coletiva, Castro voltou a cobrar apoio da União e reclamou de pedidos negados ao Exército e à Marinha para uso de blindados em operações. “Tivemos pedidos negados três vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, afirmou.
A Garantia da Lei e da Ordem (GLO) é um dispositivo previsto na Constituição que permite o uso das Forças Armadas em situações excepcionais, quando há esgotamento das forças estaduais. No entanto, depende de autorização presidencial.
O governo estadual enviou ofícios ao Ministério da Defesa ainda em janeiro, solicitando veículos blindados para operações em áreas de risco — pedidos que não teriam sido atendidos.
Operação recorde e confronto nas matas
Castro classificou a megaoperação desta terça-feira, nos complexos do Alemão e da Penha, como “a maior da história do Rio de Janeiro”. Ele afirmou que as ações foram planejadas para ocorrer em áreas de mata, a fim de reduzir o risco à população civil. “Foi pensado para encurralá-los lá para que a população sentisse o mínimo possível”, disse.
O governador ressaltou ainda que a operação cumpriu as regras da ADPF 635, que estabelece parâmetros para ações policiais em comunidades, e afirmou que o Ministério Público acompanha as investigações.
Resposta do Ministério da Justiça
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) afirmou que mantém atuação permanente no Rio desde 2023, por meio da Força Nacional, com operações vigentes até dezembro de 2025. O governo federal disse ter atendido a todos os pedidos feitos pelo estado e ressaltou que já ofereceu vagas em presídios federais a criminosos indicados pelo governo fluminense.
O ministério também destacou que, só em 2025, a Polícia Federal realizou 178 operações no Rio, 24 delas contra o tráfico de drogas e armas, e que a Polícia Rodoviária Federal vem atuando no combate a roubos de cargas e veículos nas rodovias.
Além disso, o MJSP informou que o estado ainda dispõe de mais de R$ 170 milhões em recursos federais disponíveis para segurança pública e que parcerias foram firmadas para desarticular o financiamento das facções, incluindo ações conjuntas de inteligência financeira.
Disputa de versões
Apesar da resposta do governo federal, Castro insiste que o Rio “está sozinho” no enfrentamento ao crime. “Estamos sozinhos nessa luta hoje. É uma operação maior que a de 2010 e, infelizmente, desta vez não temos o auxílio de blindados nem de agentes das forças federais”, declarou.
O governador negou que suas críticas tenham motivação política e afirmou que busca apenas cooperação. “O Rio não produz essas armas nem essas drogas. Tudo que o estado pode fazer está sendo feito. Precisamos de ajuda, não de disputa.”







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