Castro afirma que governo Lula tem se recusado a ajudar: ‘O Rio está sozinho neste combate’

‘Essa maldita ADPF fez o crime crescer no Rio de Janeiro. Foram cinco anos de limitações, de proibições absurdas, enquanto tráfico se armava’, afirmou

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), fez duras críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao afirmar que o estado teve três pedidos de apoio das Forças Armadas negados.

“Já pedimos os blindados algumas vezes e todos foram negados. Falaram que tinha que ter GLO (Garantia da Lei e da Ordem), porque o servidor que opera o blindado é federal. E o presidente é contra a GLO”, disse Castro nesta terça-feira (28), durante coletiva de imprensa sobre a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão.

O governador classificou a situação como um “abandono” do governo federal:

“Não temos ajuda das forças de segurança federais, nem Defesa. É o Rio de Janeiro sozinho. É muito fácil criticar o governador quando o estado está excedendo suas competências, mas a realidade é essa: estamos sozinhos.”

Segundo Castro, o estado enfrenta “barricadas, drones armados e criminosos fortemente equipados”, mas sem o suporte militar que considera necessário:

“O que talvez esteja acontecendo é uma falta de foco e interesse na segurança pública. Essa falta de priorização faz com que a gente não tenha elementos fundamentais para esse combate.”

Governador volta a atacar a ADPF 635 e culpa o STF por avanço do tráfico

Durante a coletiva, Castro também criticou duramente a ADPF 635, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringiu operações policiais em comunidades durante a pandemia.

Hoje, os criminosos têm drones com bombas e armas de guerra, e ninguém se manifesta.”

Castro disse ainda que a decisão do STF abriu espaço para que facções de outros estados migrassem para o Rio, fortalecendo o crime organizado:

“Essa foi uma das maiores tragédias da segurança pública fluminense. A ADPF criou um vácuo que o tráfico preencheu.”

Operação na Penha e Alemão teve 81 presos e 93 fuzis apreendidos

A operação coordenada pelas polícias Civil e Militar resultou em 81 prisões e na apreensão de 93 fuzis. De acordo com o balanço parcial, 64 pessoas morreram, entre elas dois policiais civis e dois militares.

Castro classificou a ação como “fundamental” e exaltou a coragem das forças estaduais:

“Depois de cinco anos de limitações, as nossas polícias, com muita coragem, estão enfrentando o crime. Eu tenho orgulho de cada policial que foi para a rua hoje.”

Apesar das críticas, o governador evitou detalhar o número total de mortos e feridos e concentrou sua fala nas falhas que, segundo ele, vêm da esfera federal:

“O governo federal não prioriza o combate ao crime. Falta coordenação, falta estratégia e, principalmente, falta vontade política.”

Impasse político e desgaste institucional

A nova investida verbal de Castro contra o Planalto ocorre em meio a uma escalada de tensão entre os dois governos. Em 2023, o então ministro da Justiça, Flávio Dino, havia autorizado o envio da Força Nacional, mas, segundo Castro, o apoio foi “limitado e simbólico”.

“Mandaram a Força Nacional para patrulhar estrada. Não é lá que o crime está. O crime está dentro das comunidades, onde o Estado precisa estar presente.”

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