A megaoperação policial que nfoi deflagrada nesta terça-feira (28/10) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, teve o objetivo de capturar Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso. O criminoso é considerado o chefão do Comando Vermelho (CV) e um dos traficantes mais perigosos do país.
Quem é Doca, o traficante mais procurado do Rio
Baseado na Vila Cruzeiro, Doca comanda uma das frentes mais violentas do CV. Seu domínio se estende por comunidades estratégicas como Gardênia Azul, César Maia e Juramento, áreas recentemente retomadas de milicianos. Estima-se que cerca de 70 mil moradores vivam sob seu controle direto.
Natural da Paraíba, Doca cresceu no Rio e se consolidou no tráfico local. Quando o cerco policial apertou, buscou refúgio no Morro do São Simão, em Queimados, na Baixada Fluminense, retornando à Vila Cruzeiro em 2020, no auge da pandemia de Covid-19.
Tropa do Urso e o domínio de fogo no Rio
À frente da chamada Tropa do Urso, Doca liderou mais de 40 invasões de favelas nos últimos três anos, sempre com forte confronto armado. Segundo a Polícia Civil, ele é diretamente ligado a 112 assassinatos e aparece em 329 investigações que envolvem tráfico de drogas, desaparecimentos e execuções brutais.
Entre os crimes mais emblemáticos está o desaparecimento de três meninos em Belford Roxo, em 2020. Após o caso ganhar repercussão nacional, Doca teria mandado executar seus próprios comparsas responsáveis pelas mortes das crianças.
Caso dos médicos assassinados na Barra da Tijuca
Em outubro de 2023, Doca foi apontado como o mandante do assassinato de três médicos e da tentativa de homicídio de uma quarta vítima na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Os criminosos, ligados ao CV, confundiram as vítimas com milicianos de Rio das Pedras. O erro foi punido com a execução sumária dos quatro envolvidos, por ordem direta de Doca — os corpos foram deixados dentro de um carro na região.
Chefão cruel e disciplinador
De acordo com investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, Doca não apenas autoriza execuções, mas exige que elas sejam realizadas com requintes de crueldade. O líder do CV é descrito como impiedoso e disciplinador, responsável por impor a lei do medo nas comunidades que domina.
Outros líderes do Comando Vermelho também são alvos da operação
Além de Doca, a ação mira outros nomes de peso da facção, como Pedro Paulo Guedes (Pedro Bala), Carlos Costa Neves (Gadernal) e Washington Cesar Braga da Silva (Grandão). Eles são apontados como responsáveis por controlar o tráfico, organizar escalas de vigilância e ordenar execuções de rivais e subordinados.
A denúncia inclui ainda 15 gerentes do tráfico e dezenas de “soldados” que atuam na segurança e logística das comunidades. Os 51 mandados de prisão foram expedidos pela 42ª Vara Criminal da Capital.
A megaoperação e o cerco ao Comando Vermelho
A operação conta com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), da CORE/PCERJ e do BOPE/PMERJ. Ao todo, 67 pessoas foram denunciadas por associação para o tráfico, e três delas também respondem por tortura.
Segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ), o Complexo da Penha é considerado uma base estratégica do tráfico, por estar próximo de vias expressas e facilitar o escoamento de drogas e armas para regiões da Zona Oeste, especialmente Jacarepaguá.
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