A decisão de retirar a administração da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) de seu tradicional campus em Quintino, na Zona Norte do Rio, provocou uma reação de dois deputados que já comandaram a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Gustavo Tutuca (PP) e Anderson Moraes (PL) contestaram, nesta terça-feira (1º), a transferência da presidência e das diretorias da instituição para o prédio da antiga Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, no Centro.
O governo alega que a mudança está relacionada a uma questão de segurança. O argumento, porém, foi questionado pelos dois parlamentares durante sessão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Tutuca comandou a pasta nos governos Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, enquanto Moraes ocupou o cargo durante a gestão de Cláudio Castro.
A deputada Tia Ju (Republicanos), que presidia a parte final da sessão, fez coro às críticas e também defendeu o retorno da administração para Quintino.
Tutuca questiona argumento de segurança
Tutuca afirmou ter recebido com “muita perplexidade” a decisão. Segundo o deputado, a justificativa relacionada à segurança causa preocupação porque o campus continuará sendo frequentado diariamente por estudantes, professores e outros profissionais.
“A imprensa noticiou amplamente, na semana passada, que um dos motivos era segurança, o que me deixou ainda mais perplexo porque, hoje em dia, naquele campus de Quintino, há diversas escolas da Faetec e mais de quatro mil alunos, além de professores e profissionais de apoio que trabalham lá”, afirmou.
O parlamentar também questionou a transferência da administração de um imóvel próprio do estado para outro endereço no Centro e pediu ao governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, que intervenha para que a decisão seja revista. “A gente não pode admitir que, com toda aquela estrutura, a direção da Faetec se afaste daquele campus e venha para o Centro da cidade”, disse Tutuca.
Anderson Moraes reforça críticas
Ex-secretário durante o governo Cláudio Castro, Anderson Moraes afirmou que a direção deveria permanecer próxima dos estudantes e das atividades desenvolvidas em Quintino. “É preciso rever essa situação. Acho que é preciso rever inclusive as pessoas que hoje administram a instituição”, declarou.
Moraes também fez acusações sobre integrantes da atual administração da Faetec. O deputado afirmou ter ouvido comentários sobre supostos vínculos de pessoas da direção com milicianos e sobre contatos com fornecedores.
“Uns falam que é milícia. Outros falam que querem conversar com os fornecedores. E a gente começa a ver que os alunos ficam jogados para lá, os professores ficam jogados”, afirmou.
Segundo Moraes, o afastamento da administração das atividades realizadas em Quintino pode prejudicar o acompanhamento dos problemas cotidianos do campus. “À medida que a diretoria saia dali e se afaste dos problemas que acontecem ali dentro, a tendência é a Faetec sucatear”, declarou.
Tia Ju relata surpresa de servidores
Tia Ju também criticou a mudança e afirmou que servidores teriam descoberto a transferência ao procurar a administração da Faetec para resolver demandas das unidades.
“Alguns servidores da Faetec foram até a sede para resolver algumas questões das unidades e foram surpreendidos com a notícia, porque não tinham lido o jornal e não sabiam que a sede tinha mudado para o Centro da cidade”, relatou.
A deputada lembrou ainda que frequentou o campus durante as gestões de Tutuca e Anderson Moraes na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e classificou Quintino como um espaço histórico e de referência.
“A gente fica muito triste de receber uma notícia dessas. Torcemos para que retorne, de fato, para seu lugar de origem, em respeito principalmente aos trabalhadores, aos servidores e aos alunos que frequentavam assiduamente aquele espaço”, afirmou Tia Ju.







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