A Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) já iniciou a mudança de endereço de sua administração central, que deixará o campus de Quintino, na Zona Norte do Rio, e passará a funcionar no prédio da antiga Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, no Centro da capital. A transferência envolve os funcionários do setor administrativo e não altera, segundo as informações divulgadas, as atividades de ensino mantidas no bairro.
A mudança foi comunicada aos servidores durante uma reunião realizada na quinta-feira. O presidente da Faetec, o defensor público Eduardo Chow, informou sobre a transferência e justificou a decisão como um “rearranjo administrativo” do Governo do Estado.
Os estudantes, por sua vez, continuarão frequentando normalmente as unidades instaladas em Quintino.
Alunos permanecem em Quintino
O campus concentra diferentes estruturas de educação e qualificação profissional. Entre elas está o CAEP Favo de Mel, centro especializado destinado à inclusão social e profissional de jovens e adultos com deficiência intelectual e/ou Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Também funcionam no local uma creche, uma escola estadual, uma escola técnica estadual e o CVT Quintino, destinado à qualificação profissional.
Dessa forma, a transferência anunciada está concentrada na estrutura administrativa da Fundação, sem previsão informada de retirada dessas unidades de ensino do bairro.
Mudança ocorre após barricadas no bairro
O anúncio aos servidores ocorreu um dia depois de um episódio de violência que afetou Quintino. Dezenove ônibus foram utilizados como barricadas por criminosos no bairro, inclusive na Rua Clarimundo de Melo, onde está localizada a Faetec Quintino.
A ação criminosa ocorreu em represália a uma operação policial realizada nas comunidades do Campinho e do Fubá.
Embora a mudança administrativa tenha sido anunciada logo após o episódio, a justificativa apresentada pelo presidente da Fundação aos funcionários foi de que a transferência faz parte de um “rearranjo administrativo” do Governo do Estado.
A questão da segurança na região, no entanto, já havia aparecido anteriormente em uma demanda da própria Faetec.
Faetec havia pedido veículos blindados
No fim de julho, a Fundação solicitou ao Governo do Estado a utilização de veículos blindados pelo presidente da Faetec, pelo vice-presidente administrativo, pelo vice-presidente educacional, pela chefia de gabinete e pela Diretoria Administrativa.
Entre as justificativas apresentadas estavam a violência registrada no bairro e a proximidade da unidade com comunidades da região. O documento mencionou o Morro do Inácio Dias, o Complexo dos Urubus, a Vila dos Mineiros e o Complexo da Serrinha.
A Faetec também citou a carreira de origem de Eduardo Chow na Defensoria Pública como um fator que poderia aumentar sua exposição.
Em nota, a Fundação afirmou que a transferência da estrutura administrativa foi articulada e ajustada entre a extinta Secretaria de Ciência e Tecnologia — que, segundo a manifestação, será novamente criada —, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e a própria Faetec.







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