O Ministério Público do Rio detalhou que um dos policiais envolvidos na operação que terminou com a morte de Herus Guimarães Mendes da Conceição, em junho, tentou manipular a própria câmera corporal instantes depois dos disparos.
A informação integra a denúncia apresentada nesta sexta-feira (5) pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ).
O 1º sargento Daniel Sousa da Silva buscou alterar o equipamento enquanto conversava com outro policial, logo após a ação no Morro Santo Amaro, na Zona Sul do Rio. As imagens anexadas ao processo mostram o sargento pedindo orientação para mexer na câmera.
“Sabe mexer nessa p*rra aqui?”, questiona Daniel, ao se referir à câmera corporal. Outro policial responde: “sei”.
“Passar esse bagulho aqui porque eu quero ver essa p%rra agora”, afirma o autor do tiro.
Apesar de negar o disparo a moradores que se aproximaram, Daniel reconheceu que atirou ao deixar o local. Nas imagens, ele comenta com um colega que atingiu “o garoto da escada”.
Para o MP, a cena conclui que Herus estava desarmado, de costas e tentava se afastar quando acabou baleado: “As imagens das câmeras operacionais portáteis demonstram que Herus não esboçou qualquer atitude agressiva e tentou se afastar para se proteger”, aponta a denúncia.
Policiais discordaram
As gravações das câmeras corporais também mostram que alguns policiais discordaram da operação. Em diferentes momentos, agentes questionaram a decisão em preocupação com a circulação de crianças próximo ao trajeto da equipe.
“(Tem) 300 mil crianças, tá cheio de criança na rua. Ficar igual gato e rato? Mais fácil abortar a missão”, disse um dos policiais militares.
Defesa nega intenção de matar
A defesa do sargento Daniel, representada pelo advogado Patrick Berriel, declarou que ele não teve intenção de matar Herus.
“Os policiais já tinham informações de que traficantes estavam naquele local. Ao chegar à comunidade, foram fortemente atacados pelos criminosos. Não restou ao policial alternativa senão se defender e proteger sua patrulha. O Ponta 1 jamais teve a intenção de matar; ele apenas reagiu para defender a própria vida e a de sua patrulha”, disse.
Já os representantes do tenente Felippe afirmaram que ele atuou de acordo com os protocolos previstos para operações daquela natureza. “O tenente possuía uma missão claramente definida e a conduziu observando todos os protocolos de segurança”, pontuou a defesa.
Relembre o caso
Herus foi morto no dia 7 de junho, durante uma festa junina na comunidade. Na ocasião, os moradores relataram corre-corre e medo com a troca de tiros, que levou crianças, idosos e visitantes a se proteger como podiam.
À época, a PM informou que os militares checavam uma reunião de traficantes armados na região. A corporação disse que houve confronto após os policiais serem atacados e negou que os disparos tenham partido da tropa.
Herus foi atingido na barriga pouco depois de sair para comprar um lanche. Socorrido por amigos, o jovem chegou a ser levado para o Hospital Glória D’Or, mas não resistiu.






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