Vídeos das câmeras corporais de policiais do Bope registraram o momento em que Herus Guimarães Mendes foi baleado durante uma operação no morro Santo Amaro, na Zona Sul do Rio. O jovem participava de uma festa junina quando foi atingido. As imagens, obtidas pelo g1 e pela TV Globo, motivaram o Ministério Público a denunciar o sargento Daniel Sousa da Silva e o tenente Felippe Carlos de Souza Martins por homicídio qualificado.
MP APONTA QUE HERUS BUSCAVA ABRIGO, NÃO CONFRONTO
Na denúncia, o Ministério Público afirma que Herus estava de costas e fazia movimentos compatíveis com tentativa de se proteger, e não de atacar policiais. O órgão destaca que a ação aconteceu em meio a uma festa junina tradicional, que recebia quadrilhas de diferentes regiões do estado. Herus trabalhava como office boy em uma imobiliária.
POLICIAIS ALEGAM ATAQUE DE TRAFICANTES
Os agentes do Bope afirmaram que receberam informações sobre a presença de traficantes no local e teriam sido atacados ao entrar na comunidade. Porém, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) aponta que os PMs tinham conhecimento da proximidade entre o ponto onde criminosos estariam e o local da festa, questionando a manutenção da operação.
MP CONTESTA VERSÃO DA DELEGACIA DE HOMICÍDIOS
O MP discorda do relatório da Delegacia de Homicídios, que concluiu que Daniel agiu em legítima defesa putativa. A DH sustentou que o policial viu um objeto brilhante na mão de Herus — que era seu celular — em uma área de confronto intenso. Mas, segundo o Ministério Público, os vídeos mostram que o intervalo entre o comando do policial e os disparos foi de apenas um segundo, e não dois, como constava no relatório da polícia.
DENÚNCIA APONTA QUE POLICIAL ASSUMIU O RISCO DE MATAR
O Gaesp afirma que Daniel assumiu o risco ao atirar contra um jovem desarmado e de costas. O tenente Felippe também foi denunciado por manter a operação mesmo sabendo da realização da festa junina. Herus foi socorrido por uma equipe do Bope, mas não resistiu.
DEFESA DIZ QUE PM AGIU PARA PROTEGER A PATRULHA
A defesa do sargento Daniel afirma que o policial não teve intenção de matar e apenas reagiu em meio a um ataque criminoso. O advogado Patrick Berriel declarou que o agente buscou proteger sua equipe diante do “intenso confronto”.
RELATÓRIO DA DH FALA EM ERRO JUSTIFICÁVEL
A Delegacia de Homicídios concluiu que a morte ocorreu após um erro “plenamente justificável pelas circunstâncias”. Imagens analisadas pela polícia mostram Herus no topo de uma escadaria, de casaco e capuz, enquanto o PM estava em posição inferior e vulnerável. Nenhuma arma foi encontrada com a vítima. Em um trecho das gravações, um policial pergunta se o jovem “era band”, sem que seja possível ouvir a resposta.
Veja o vídeo, com imagens fortes:






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