A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (29), mais uma etapa da Operação Contenção, que tem como foco combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e desarticular a estrutura de lavagem de dinheiro ligada à facção. Entre os alvos estão o trapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Oruam, a mãe dele e um dos irmãos.
Equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) saíram para cumprir 12 mandados de prisão preventiva expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Crime Organizado da Capital. Lideranças do CV também estão na lista, incluindo Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam, que já está preso.
Carlos Alexandre Martins, apontado como operador financeiro da facção, foi preso no Morro do Adeus, no Complexo do Alemão. Com ele, os agentes apreenderam um carro e uma moto.
Veja imagens da ação:
Oruam é considerado foragido desde fevereiro, após descumprir regras relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica no processo em que responde por tentativas de homicídio. O caso está ligado a um episódio ocorrido em julho do ano passado, quando houve uma confusão envolvendo policiais na porta da residência dele, no Joá.
Além do artista, os agentes buscam cumprir mandados contra a empresária Márcia Gama, mãe de Oruam, e contra Lucca Nepomuceno, irmão do cantor.
Márcia já havia sido alvo de prisão em março, durante a Operação Contenção Red Legacy, mas não foi localizada na ocasião. No início deste mês, a Justiça do Rio concedeu habeas corpus a ela.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Entenda a operação
Segundo os investigadores, foi identificado um esquema estruturado de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. O modelo funcionava da seguinte forma: valores oriundos do tráfico eram repassados por lideranças da facção a operadores financeiros, que distribuíam o dinheiro em contas de terceiros. Depois, esses recursos eram usados para pagar despesas, comprar bens e ocultar patrimônio, com o objetivo de dar aparência legal ao dinheiro ilícito.
As apurações também apontaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, reforçando a suspeita de origem criminosa dos valores. A polícia identificou ainda a atuação coordenada de diferentes integrantes, responsáveis por realizar transferências sucessivas para dificultar o rastreamento dos recursos.
Durante a investigação, foram encontrados diálogos entre Carlos Costa Neves, conhecido como Gardenal, apontado como uma das principais lideranças do grupo, e um miliciano. As conversas indicam que Marcinho VP, continua exercendo influência dentro da facção, mesmo após anos preso.
Quem são os alvos
- Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP – apontado como um dos principais chefes do CV; já está preso.
- Ederson José Gonçalves Leite, o Sam da CDD – liderança da facção; foragido em outros processos.
- Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso – também identificado como chefe do CV; foragido em outras ações.
- Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D – outro nome apontado como chefão da organização; foragido em outros processos.
- Luciano Martiniano da Silva, o Pezão – indicado como liderança da facção; foragido em outras investigações.
- Wilton Rabello Quintanilha, o Abelha – citado como um dos chefes do CV; foragido em outros processos.
- Carlos Alexandre Martins da Silva – apontado como operador financeiro da facção; foi preso nesta quarta-feira.
- Luiz Paulo Silva de Souza – também investigado como operador financeiro do CV; é procurado.
- Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam – foragido em outros processos.
- Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca – irmão de Oruam; alvo de mandado nesta quarta-feira.
- Márcia Gama dos Santos Nepomuceno – mulher de Marcinho VP e mãe de Oruam e Lucca; procurada na ação.
- Jeferson Lima Assim – alvo de mandado de prisão nesta quarta-feira.






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