MPRJ denuncia Marcinho VP, Oruam e outros dez por organização criminosa

Segundo a acusação, grupo teria quatro núcleos e movimentado recursos do tráfico de drogas mesmo com liderança presa há mais de 20 anos

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou à Justiça Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, a mulher dele, Marcia Gama Nepomuceno, o filho Mauro Nepomuceno, o trapper Oruam, e outras nove pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia apresentada pela 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, o grupo seria responsável por ocultar e dissimular recursos do tráfico de drogas em comunidades do Rio.

A Polícia Civil realizou, na quarta-feira (29), uma operação para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra os denunciados.

O Ministério Público sustenta que Marcinho VP, preso há mais de 20 anos, ainda exerceria influência no Comando Vermelho, coordenando movimentações financeiras e estratégias da organização.

Entenda a denúncia

Segundo a denúncia, Marcia Nepomuceno atuaria como gestora financeira da facção. As investigações apontam que ela receberia regularmente dinheiro em espécie de integrantes do grupo, entre eles Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, o Pezão.

Ainda conforme a acusação, para ocultar o patrimônio, ela teria adquirido e administrado estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas.

Oruam é apontado como beneficiário direto do esquema. De acordo com a ação penal, ele receberia recursos ilícitos e utilizaria a carreira artística para dissimular valores obtidos nas atividades criminosas. A denúncia afirma que o cantor teria recebido dinheiro de traficantes para custear despesas pessoais, viagens, festas e investimentos.

O trapper está foragido desde fevereiro, após descumprir regras relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica no processo em que responde por tentativas de homicídio. O caso está ligado a um episódio ocorrido em julho do ano passado, quando houve uma confusão envolvendo policiais na porta da residência dele, no Joá.

Estrutura do grupo

O Ministério Público descreve a organização como estruturada em quatro núcleos: o de liderança encarcerada, atribuído a Marcinho VP; o núcleo familiar, responsável por intermediar ordens e gerir ativos; o núcleo de suporte operacional, que atuaria na lavagem de dinheiro e na ocultação patrimonial; e o núcleo de liderança operacional, formado por integrantes que atuariam diretamente nas comunidades com o tráfico de drogas e repassariam parte dos valores ao núcleo familiar.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Conheça os alvos da operação

  • Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP – apontado como um dos principais chefes do CV; já está preso.
  • Ederson José Gonçalves Leite, o Sam da CDD – liderança da facção; foragido em outros processos.
  • Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso – também identificado como chefe do CV; foragido em outras ações.
  • Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D – outro nome apontado como chefão da organização; foragido em outros processos.
  • Luciano Martiniano da Silva, o Pezão – indicado como liderança da facção; foragido em outras investigações.
  • Wilton Rabello Quintanilha, o Abelha – citado como um dos chefes do CV; foragido em outros processos.
  • Carlos Alexandre Martins da Silva – apontado como operador financeiro da facção; foi preso nesta quarta-feira.
  • Luiz Paulo Silva de Souza – também investigado como operador financeiro do CV; é procurado.
  • Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam – foragido em outros processos.
  • Lucas Santos Nepomuceno, o Lucca – irmão de Oruam; alvo de mandado nesta quarta-feira.
  • Márcia Gama dos Santos Nepomuceno – mulher de Marcinho VP e mãe de Oruam e Lucca; procurada na ação.
  • Jeferson Lima Assim – alvo de mandado de prisão nesta quarta-feira.

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