Mortes de policiais no Rio reacendem alerta e pressionam governo por proteção

Dados da Associação Heróis do Rio apontam média de duas mortes por dia e reforçam debate sobre proteção, assistência e condições de trabalho

Frente à escalada de enfrentamento do governo ao crime organizado no estado, com megaoperações policiais e o avanço do programa Barricada Zero, um dado paralelo chamou a atenção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Em audiência pública da Comissão Especial de Militares Vitimados em Serviço, realizada na quinta-feira (27), a Associação Beneficente Heróis do Rio de Janeiro (ABHRJ) apresentou números que indicam uma média chocante: dois policiais militares morrem por dia no estado.

A revelação elevou o tom do debate sobre a necessidade de políticas de proteção e assistência às forças de segurança em meio ao endurecimento das ações oficiais contra o crime.

O presidente da ABHRJ, coronel Fábio Cajueiro, comparou a letalidade de policiais no estado com as estatísticas de soldados norte-americanos em grandes conflitos bélicos, afirmando que a taxa fluminense é superior. Para o oficial, o diagnóstico revela uma situação extrema.

“O policial fluminense vive um cenário de guerra. É preciso reconhecer essa condição e tratá-la com políticas de proteção e valorização, porque estamos perdendo profissionais como se estivéssemos em combate”, declarou.

A assessora especial de Relações Institucionais da Polícia Civil, Inamara Pereira disse que é preciso ampliar a visibilidade das demandas e buscar ações integradas. Ela mencionou que as políticas de reparação devem envolver apoio psicológico, jurídico e financeiro às famílias atingidas.

Debate sobre assistência e grupos de trabalho

A comissão, presidida pelo deputado Renan Jordy (PL), anunciou a criação de Grupos de Trabalho para analisar casos de militares vitimados, sistematizar dados e propor medidas de proteção.

Ele afirmou que a prioridade é garantir assistência digna aos profissionais que atuam na linha de frente. Segundo o parlamentar, o colegiado irá apurar e documentar situações para construir um diagnóstico realista.

“Nosso objetivo é criar políticas públicas justas, eficientes e humanizadas para amparar de forma real esses profissionais que arriscam a vida pela sociedade, para que não sejam esquecidos quando mais precisam”, disse.

O vice-presidente da comissão, deputado Marcelo Dino, ressaltou que garantir condições adequadas de trabalho e atenção psicológica deve ser encarado como política estratégica. Em sua avaliação, servidores mais valorizados e amparados refletem diretamente na qualidade do atendimento à população.

“Quando o policial é tratado com dignidade, ele está mais preparado para servir e proteger. Cuidar da saúde e da qualidade de vida desses profissionais é essencial para garantir um atendimento melhor à sociedade”, afirmou.

Apoio às famílias e impactos emocionais

O deputado Giovani Ratinho destacou a necessidade de estender a assistência às famílias dos agentes. Ele afirmou que o colegiado pretende abordar não apenas a violência sofrida pelos militares, mas também o impacto emocional deixado nas pessoas próximas.

“Queremos compreender o impacto emocional dessas perdas e trazer à mesa do Legislativo e Executivo soluções efetivas. Sabemos que muitas vezes o Estado e as instituições estão sobrecarregados, e é papel deste colegiado ajudar a dar atenção a quem realmente precisa de ajuda”, declarou.

A audiência marcou o início de um esforço legislativo para aprofundar diagnósticos e propor medidas que respondam ao avanço da violência contra agentes de segurança, num momento em que o governo intensifica operações contra o crime organizado em diferentes regiões.

LEIA MAIS

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading