Imagens inéditas de câmeras corporais reveladas pelo Fantástico mostram que policiais militares acompanharam e monitoraram o empresário Daniel Patrício Santos Oliveira antes de um deles matá-lo a tiros na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Os registros indicam que a vítima foi monitorada por mais de uma hora antes da ação. Nas gravações, um dos agentes avisa: “Tá descendo o Russo agora!”, pouco antes de o empresário entrar na rua onde ocorreria o ataque.
Na sequência, um policial avança em direção à caminhonete e dispara dezenas de tiros de fuzil. Segundo a investigação, não havia blitz, bloqueio ou qualquer ordem de parada no local.
Daniel não estava sozinho no veículo. Três pessoas o acompanhavam e sobreviveram ao ataque, aparecendo nas imagens logo após os disparos. Em estado de choque, um deles grita pedindo explicações, enquanto outro afirma que o empresário foi atingido no rosto.
Versão policial é contestada por imagens
Após os tiros, moradores se aproximaram e questionaram a conduta dos agentes. O policial responsável pelos disparos alegou que o veículo teria avançado contra a equipe durante uma abordagem.
No entanto, as imagens não confirmam essa versão. As gravações também mostram o mesmo agente orientando colegas sobre como o caso deveria ser registrado oficialmente, citando termos como “troca de tiro” e “legítima defesa”.
A narrativa foi repetida pelo policial em ligações telefônicas e posteriormente na delegacia, segundo o material obtido pela reportagem.
De acordo com a Corregedoria da Polícia Militar, os vídeos comprovam que os agentes começaram a monitorar Daniel às 1h53 da madrugada, enquanto os disparos ocorreram às 3h06. Durante esse período, eles receberam informações de um olheiro sobre os deslocamentos da vítima.
Investigação aponta emboscada planejada
Com base nessas informações, os policiais teriam montado uma emboscada. Um dos agentes se posicionou previamente na rua por onde o empresário passaria.
Quando a caminhonete se aproximou, o policial avançou a pé e efetuou os disparos. Daniel morreu após ser atingido na cabeça.
As gravações também mostram sinais de impaciência entre os agentes durante a espera. Um deles reclama da demora, enquanto outro comenta que o uso de um drone poderia facilitar a ação.
A investigação aponta que não houve qualquer protocolo formal na operação. A Corregedoria destacou que a conduta dos policiais foge dos padrões estabelecidos para abordagens e uso da força.
Família cobra justiça e caso segue em apuração
O empresário tinha 29 anos, era casado, pai de uma criança e trabalhava com eletrônicos. A família se preparava para se mudar para Foz do Iguaçu.
A viúva cobrou responsabilização dos envolvidos e afirmou esperar que a verdade não seja ocultada.
Os dois policiais foram presos no mesmo dia do crime por homicídio doloso. O governo do estado informou que pagará indenização à família.
O Ministério Público segue investigando a motivação do crime, enquanto as imagens reforçam a suspeita de execução e levantam questionamentos sobre a atuação policial no caso.
Veja o vídeo:
Assista na íntegra reportagem do Fantástico, no link abaixo::






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