As manifestações do Dia do Trabalho na Turquia foram marcadas por repressão policial nesta sexta-feira, com cerca de 400 pessoas detidas em Istambul, na Turquia, segundo a Associação de Advogados CHD. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e veículos antimotim para dispersar manifestantes, enquanto milhares de pessoas participavam de atos em diferentes regiões do país.
Imagens divulgadas por veículos locais mostram o uso de spray de pimenta contra participantes, incluindo o presidente do Partido dos Trabalhadores da Turquia, Erkan Bas. Durante o protesto, ele criticou o governo e defendeu o direito dos trabalhadores de se manifestarem: “Quem está no poder já fala 365 dias por ano, então que os trabalhadores falem pelo menos um dia”, afirmou, informa O Globo.
Praça Taksim isolada e lideranças detidas
A Praça Taksim, tradicional palco de manifestações políticas, foi cercada pela polícia desde a noite anterior, impedindo o acesso de grupos que pretendiam marchar até o local. Dois grupos foram interceptados ao tentar se dirigir à região, no lado europeu da cidade.
Entre os detidos está o dirigente sindical Basaran Aksu, preso após criticar o bloqueio da praça. Ele afirmou que a restrição simboliza a exclusão dos trabalhadores: “Todos usam a praça para celebrações oficiais, mas os operários encontram as portas fechadas”, declarou antes de ser levado pelos agentes.
Confrontos e tensão nas ruas
Em bairros centrais como Mecidiyekoy e Besiktas, houve confrontos entre policiais e manifestantes. A polícia lançou gás lacrimogêneo contra grupos que tentavam avançar em direção às áreas bloqueadas. Testemunhas relataram abordagens violentas, com manifestantes sendo derrubados no chão durante as intervenções.
Os protestos foram organizados por sindicatos e entidades civis sob o lema “Pão. Paz. Liberdade”, refletindo reivindicações por melhores condições de vida e direitos democráticos. A inflação oficial no país gira em torno de 30%, mas estimativas independentes apontam que pode chegar a 40%, aumentando a pressão social.
Mobilização nacional e tensão política
Em Ancara, a capital turca, a marcha reuniu grande número de participantes, incluindo cerca de 100 mineiros que recentemente encerraram uma greve de fome por salários atrasados. O grupo foi recebido com aplausos pelos manifestantes, em um ato marcado também por forte presença policial.
Nos dias que antecederam o 1º de maio, autoridades turcas emitiram mandados de prisão contra 62 pessoas, incluindo jornalistas, sindicalistas e integrantes da oposição, sob suspeita de envolvimento em possíveis atos violentos. O cenário reforça o clima de tensão política em torno das mobilizações no país.






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