Justiça condena Uiltinho Delaroli e vice por compra de votos em Rio Bonito

Ex-candidatos do PL e dois aliados foram punidos com inelegibilidade por oito anos e multa de R$ 53 mil cada após investigação sobre esquema nas eleições de 2024

A Justiça Eleitoral de Rio Bonito condenou o candidato a prefeito Uiltinho Delaroli (PL), o candidato a vice Dr. Jorge Brandão (PL) e dois aliados por participação em um esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024. Os quatro foram declarados inelegíveis por oito anos e ainda terão de pagar multa individual de R$ 53.205.

A decisão do juiz Pedro Amorim Gotlib Pilderwasser, da 32ª Zona Eleitoral, aponta que houve distribuição e promessa de dinheiro a eleitores para obter votos em favor da chapa liderada por Uiltinho Delaroli. Segundo a sentença, também ficou comprovado o uso irregular de recursos financeiros para tentar interferir no equilíbrio da disputa eleitoral no município.

As investigações começaram após denúncias anônimas informando que uma residência no bairro Green Valley estaria sendo usada como base para compra de votos no dia da eleição.

O imóvel era ligado a Carlos Cordeiro Neto, conhecido como Caneco, e Michely Ferreira de Souza Cordeiro, também condenados no processo.

Com autorização judicial, policiais cumpriram mandado de busca no local em 6 de outubro de 2024, data da votação. Durante a operação, foram apreendidos:

  • R$ 46.300 em dinheiro;
  • 23 envelopes com valores e identificação de eleitores;
  • planilhas com nomes de votantes, números de títulos, zona e seção eleitoral;
  • listas manuscritas com anotações de pagamentos;
  • adesivos e material de campanha de Uiltinho Delaroli.

Para o juiz, o conjunto de provas indicou que a casa funcionava como centro operacional para a compra de votos.

Eleitores relataram pagamento de R$ 200

A sentença também cita depoimentos de testemunhas ouvidas em audiência. Segundo os relatos, eleitores afirmaram ter recebido R$ 200 para votar em Uiltinho Delaroli e Dr. Jorge Brandão.

De acordo com a decisão, os depoimentos coincidiram com os valores encontrados nos envelopes e com as listas apreendidas pela polícia.

A defesa dos candidatos negou participação direta no esquema. Mesmo assim, o magistrado entendeu que havia forte vínculo político entre os quatro condenados.

Segundo a decisão, Caneco e Michely participavam ativamente da campanha, divulgavam agendas políticas nas redes sociais e demonstravam apoio público à chapa. O fato de materiais de campanha terem sido encontrados no imóvel também foi considerado relevante.

Disputa apertada aumentou gravidade do caso

Outro ponto destacado foi a pequena diferença entre os dois primeiros colocados na eleição para prefeito.

Marcos Abrahão (União) venceu com 10.082 votos, o equivalente a 28,43% dos votos válidos. Já Uiltinho Delaroli ficou em segundo lugar, com 9.541 votos, ou 26,90%. A diferença final foi de 541 votos.

Para o juiz, o esquema investigado tinha potencial para influenciar diretamente o resultado da eleição.

A Justiça determinou para os quatro condenados:

  • inelegibilidade por oito anos, contados a partir das eleições de 2024;
  • multa de R$ 53.205 para cada um.

Como Uiltinho Delaroli e Dr. Jorge Brandão não venceram a eleição, não houve perda de mandato.

A decisão ainda pode ser contestada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e, posteriormente, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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