Policial preso por execução na Pavuna fiscalizava câmeras da PM no RJ

O 3º sargento Rafael Assunção Marinho, de 43 anos, era integrante de comissão de contratos que tratava com empresa de câmeras corporais. Ele e um cabo executaram o empresário Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos.

Um dos policiais militares presos pela morte do empresário Daniel Patrício Oliveira, de 29 anos, na Pavuna, Zona Norte do Rio, integrava uma comissão responsável por fiscalizar contratos ligados ao uso de câmeras corporais na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O caso ganhou novos desdobramentos após a divulgação de imagens que colocam em dúvida a versão inicial apresentada pelos agentes.

O 3º sargento Rafael Assunção Marinho, de 43 anos, aparece em uma resolução publicada no Diário Oficial em agosto de 2025 como integrante da comissão encarregada de acompanhar a execução de contratos firmados com a empresa L8 & Group S/A, responsável por sistemas que incluem câmeras operacionais portáteis e gestão de evidências digitais.

Ligação com contratos de monitoramento

O contrato citado envolve serviços de captação, armazenamento, transmissão e custódia de imagens geradas por equipamentos utilizados por policiais em serviço. A atuação do sargento nesse grupo ocorre no momento em que justamente gravações desse tipo de tecnologia passaram a ser centrais para a investigação.

A empresa integra o consórcio OX21, que mantém acordos com a corporação voltados a soluções tecnológicas de monitoramento.

Imagens contradizem versão inicial

Vídeos divulgados mostram que o sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo Rodrigo da Silva Alves, ambos do 41º BPM, acompanharam o empresário por mais de uma hora antes da abordagem.

Segundo a investigação conduzida pela Corregedoria da PM, o monitoramento começou ainda na madrugada, com apoio de um informante que repassava a localização da vítima em tempo real.

Nas imagens, um dos policiais afirma: “Tá descendo o Russo agora!”, indicando que a equipe aguardava a passagem do veículo.

Por volta das 3h, os agentes se posicionaram na via por onde o empresário passaria. Um dos policiais avança a pé e efetua diversos disparos de fuzil contra a caminhonete.

Daniel foi atingido na cabeça e morreu no local

As gravações não mostram ordem de parada, bloqueio ou tentativa formal de abordagem, o que contraria o relato inicial dos policiais, que alegaram legítima defesa após o motorista supostamente avançar com o veículo.

Conversas após os disparos

Outro trecho das imagens registra um diálogo entre os agentes após o ocorrido. Um deles orienta o outro sobre a versão a ser apresentada:

“A gente fala que na tentativa de abordagem o elemento tentou jogar o carro contra a guarnição”.

A fala é considerada relevante para a investigação, que busca esclarecer a motivação da ação e a conduta dos envolvidos.

O cabo Rodrigo da Silva Alves também é citado em um processo relacionado à Lei Maria da Penha, em tramitação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O caso envolve acusações de violência doméstica e pedidos de medidas protetivas.


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