Mendonça pede a Fachin que Moraes seja afastado do STF

Pedido amplia crise no Supremo após Moraes apontar “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a Mendonça na condução de operações da Polícia Federal

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O ministro André Mendonça pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que determine o afastamento do ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (3) pela jornalista Natuza Nery, da GloboNews.

A iniciativa aprofunda a crise entre os integrantes da Corte e ocorre após Moraes encaminhar a Fachin relatórios da Polícia Federal que, segundo ele, indicariam “fortes indícios” de irregularidades atribuídas a Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes tomou a decisão nesta quinta-feira (3), no âmbito do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news. Além de retirar o sigilo da decisão e dos documentos mencionados, o ministro determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) fosse comunicada sobre o caso.

Embate entre ministros ganha novo capítulo

A ofensiva de Moraes ocorreu depois de Mendonça retirar o sigilo de material da Polícia Federal relacionado a mensagens enviadas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Alexandre de Moraes.

Entre os principais elementos do material está um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório Barci de Moraes, pertencente a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, metadados de uma minuta localizada no celular de Vorcaro apontariam que um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” realizou modificações no documento.

As mensagens apreendidas pela Polícia Federal também indicam a importância atribuída por Vorcaro ao contrato. O banqueiro teria solicitado ao então sócio Angelo Silva que restringisse o acesso ao documento.

Em março de 2025, após constatar a ausência de um pagamento, Vorcaro teria cobrado providências e classificado o acordo como o “contrato mais importante” do banco.

Mensagens mostram contatos antes da prisão de Vorcaro

O material da PF também registra contatos de Vorcaro com Moraes nos dias anteriores à primeira prisão do banqueiro, ocorrida em novembro de 2025.

Em uma das mensagens, Vorcaro demonstrou gratidão ao ministro e à família dele. Em outra, solicitou uma reunião para o dia seguinte. Outros registros divulgados apontam ainda que o banqueiro consultou Moraes sobre a possibilidade de deixar o país antes da prisão.

Os documentos fazem referência também a encontros presenciais entre os dois. Há, porém, uma ressalva importante: as mensagens preservadas e divulgadas partiram de Vorcaro e não apresentam eventuais respostas atribuídas a Moraes.

Dessa forma, o material conhecido até o momento, isoladamente, não permite estabelecer como o ministro teria reagido às solicitações feitas pelo banqueiro.

Contrato e cartões aparecem no material da PF

Outro episódio revelado pelo material envolve cartões de crédito do Banco Master emitidos para filhos de Alexandre de Moraes, com limites de até R$ 300 mil.

Segundo as mensagens divulgadas, o administrador do escritório Barci de Moraes solicitou os cartões, e o pedido chegou diretamente a Vorcaro. O banqueiro teria autorizado o encaminhamento da solicitação.

O escritório confirmou que os cartões foram emitidos, mas afirmou que eles nunca chegaram a ser utilizados.

A divulgação desses elementos passou a alimentar o confronto dentro do Supremo. De um lado, Mendonça tornou públicos documentos relacionados a Moraes e Vorcaro. Do outro, Moraes encaminhou a Fachin relatórios que apontariam supostas irregularidades na atuação de Mendonça.

Agora, com o pedido para que Fachin determine o afastamento de Moraes, a disputa entre os ministros entra em uma nova etapa e transfere ao presidente do STF a análise de mais um capítulo da crise instalada na Corte.

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