A Academia Carioca de Letras (ACL) fechou a disputa pela cadeira nº 39, vaga em aberto desde a morte da acadêmica Maria Amélia Amaral Palladino. Em sessão na tarde de segunda-feira (31), a escritora Eliana Alves dos Santos Cruz levou 31 votos, superando Renata da Silva Barcellos, Diana Guenzburger e Patricia Neves.
A sessão foi comandada pelo vice-presidente Paulo Alonso, à frente da Comissão de Apuração, com mesa formada por Miriam Halfim e Leonardo Santana da Silva. O anúncio do resultado coube à secretária Bernadete do Carmo.
Cumprindo o ritual da Casa, o presidente Adriano Espínola ligou pessoalmente para a eleita para dar a notícia e parabenizá-la — movimento repetido por Paulo Alonso, pela Comissão de Apuração e por Sergio Fonta, presidente da Comissão do Centenário da ACL, que completa 100 anos neste ano.
Trajetória de Eliane Alves Cruz
Nascida no Rio de Janeiro em 1966, Eliana Alves dos Santos Cruz é jornalista e escritora brasileira, com obra voltada sobretudo à ficção e a contos, marcada pela ênfase em perspectivas afro-brasileiras. É formada em comunicação social pela Faculdade da Cidade, em 1989, e fez pós-graduação em comunicação corporativa na Universidade Cândido Mendes.
Antes de se consolidar na literatura, atuou como gerente de imprensa da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, cobrindo campeonatos mundiais, Pan-Americanos e Olimpíadas.
Sua estreia na ficção veio com o romance Água de barrela, vencedor do Prêmio Literário Oliveira Silveira em 2015, concedido pela Fundação Cultural Palmares. Na sequência, publicou obras como O crime do Cais do Valongo (2018) e Nada digo de ti, que em ti não veja (2020), premiado pela União Brasileira de Escritores.
Em 2022, conquistou um dos maiores reconhecimentos da carreira: o livro de contos A Vestida venceu o Prêmio Jabuti na categoria Contos. No mesmo ano, publicou o romance Solitária (Companhia das Letras), que aborda temas de raça, classe e servidão doméstica no Brasil.
Também é autora de livros infantis, entre eles A copa frondosa da árvore (2019), O desenho do mundo (2022) e Gênios da nossa gente: personalidades negras (2024), além de ter atuado como roteirista da série Anderson Spider Silva, indicada ao Emmy.
Reconhecimento recente
Em junho de 2026, Eliana tornou-se a primeira vencedora do Prêmio Guimarães Rosa, criado pela Academia Brasileira de Letras (ABL) para premiar o melhor livro de ficção publicado em 2025, com o romance Meridiana.
A obra foi descrita pela comissão julgadora como uma “odisseia, ou anti-odisseia, de uma família negra”, marcada pela intensidade emocional e pelos conflitos gerados pela mudança de classe e território.







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