Mendonça afastou Andrei da PF três dias após Dino autorizar operação contra seu aliado

Buscas contra Cezinha de Madureira haviam sido autorizadas em 5 de setembro; deputado também aparece em mensagens relacionadas a encontro entre o ministro e Daniel Vorcaro

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, que tem entre os principais alvos o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), aliado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação investiga suspeitas de influência sobre processos em tramitação nos tribunais superiores.

Segundo reportagem de Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, a operação havia sido autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, na sexta-feira, 5 de setembro, antes do agravamento da crise interna na Corte. Três dias depois, em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

A medida contra Rodrigues foi posteriormente revertida por Dino e, depois, o presidente do STF, Edson Fachin, cassou as decisões relacionadas ao afastamento. Rodrigues negou que a PF tenha monitorado Mendonça ou cometido ilegalidades na produção dos relatórios questionados pelo ministro.

Operação havia sido autorizada antes do afastamento de Andrei

A autorização para as buscas contra Cezinha, portanto, antecedeu o afastamento de Andrei Rodrigues, conforme apurou o ICL. A deflagração da operação ocorreu nove dias depois da decisão de Dino e após uma semana marcada pelas divergências entre ministros do STF.

A terceira fase da Operação Transparência apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Quatro mandados de busca e apreensão são cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo.

“As investigações apontam que integrantes do grupo teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais”, informou a PF.

A corporação ressaltou, ao divulgar a operação, que não há elementos que indiquem participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados.

Cezinha aparece em mensagens de Vorcaro

O nome de Cezinha de Madureira também surgiu recentemente em mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O conteúdo divulgado pelo jornalista Paulo Motoryn, no ICL Notícias e na newsletter Noites Húngaras, indica que o parlamentar participou da articulação de um encontro entre Vorcaro e André Mendonça, realizado em São Paulo em março de 2025.

Mendonça confirmou anteriormente ter se reunido uma vez com Vorcaro. Segundo o gabinete do ministro, a conversa tratou de créditos de precatórios de interesse do Banco Master, e Mendonça teria se limitado a ouvir o empresário. Até o momento, não foram apresentados elementos que indiquem participação do ministro nos crimes investigados na Operação Transparência.

Companheira do deputado também é alvo

Outro alvo das buscas é a advogada Valéria Rodrigues Linhares, companheira de Cezinha de Madureira. Em 25 de agosto, ela foi abordada no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando transportava R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão antes de embarcar para Brasília.

Segundo as informações divulgadas na ocasião, Valéria afirmou que apresentaria documentação para demonstrar a origem do dinheiro. O episódio passou a integrar as apurações relacionadas ao grupo investigado.

A Operação Transparência começou em dezembro de 2025, inicialmente voltada à investigação de possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares. A terceira fase amplia a apuração para suspeitas de negociações em que pagamentos teriam sido condicionados ao resultado de processos judiciais.

Cezinha de Madureira ainda não havia se manifestado sobre as buscas até a divulgação das informações sobre a operação.

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