O retorno do feriadão prolongado dos servidores públicos promete ser polêmico na Câmara do Rio. Na próxima segunda-feira (3), a Casa vai receber um debate público sobre a megaoperação da última terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha. A ação policial, que já foi tema de desavenças na Casa, é considerada um sucesso pela ala mais conservadora, enquanto os mais progressistas apontam para violência e falam em chacina.
A Operação Contenção, como foi batizada, é considerada a mais letal da história do estado fluminense, com um balanço oficial de 121 pessoas mortas, 118 armas apreendidas — entre elas 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver e 14 artefatos explosivos — , 113 presos e 10 adolescentes apreendidos. A ação gerou retaliação de criminosos, que interditaram diversas vias da cidade, sequestrando veículos e fazendo barricadas. No dia, a Câmara chegou a suspender os trabalhos.
À frente do debate, Leonel de Esquerda (PT) tem feito críticas à operação, falando em excessos do uso de força e defendendo que a ação gerou pânico na cidade, principalmente nas favelas onde ocorreram os confrontos. O parlamentar esteve na Praça São Lucas, na Penha, no dia seguinte ao tiroteio, quando moradores carregavam os corpos encontrados em região de mata, durante a madrugada, para o local. Ele afirma ter recebido relatos de familiares dos mortos sobre os corpos apresentarem sinais de violência, incluindo tortura e indícios de execução sumária. Nas redes sociais, o vereador postou vídeo
“As mortes e os excessos evidenciam que o atual modelo de segurança pública do estado precisa ser revisto com urgência. Vidas humanas não podem ser reduzidas a números. As cenas traumáticas deixarão, sem dúvidas, marcas profundas na memória coletiva”, afirma o parlamentar, que preside a Comissão Especial das Favelas.
A lista de convidados do encontro inclui moradores do Complexo do Alemão, representantes da Defensoria Pública do Rio e do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e o deputado federal Reimont (PT).
Desavenças em plenário
O tema, aliás, incendiou o plenário por dois dias seguidos nesta semana, com troca de farpas entre esquerda e direita. Na quarta-feira (29), o bate-boca foi entre Rogério Amorim (PL) e Monica Benício (PSOL). Amorim defendeu a ação de Cláudio Castro, seu colega de partido, e disparou: “O Rio de Janeiro hoje acorda mais feliz, porque mais de 120 criminosos foram assassinados”. Benício rebateu, classificando o governador como “incompetente, covarde e governador das chacinas”.
No dia seguinte, o fuzuê foi ainda maior. O caldo entornou quando Poubel (PL) pediu a palavra durante a discussão de um projeto para elogiar o governador pelo balanço da operação, com foco nas mortes. A fala abriu a porteira para outros vereadores com diferentes opiniões subirem à tribuna. O posicionamento foi criticado por edis do PT e PSOL, além de Salvino Oliveira (PSD), da base de Paes, que falou sobre os danos colaterais.






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