A sessão extraordinária da Câmara do Rio desta quarta-feira (29) foi palco de um grande bate-boca protagonizado por Monica Benício (PSOL) e Rogério Amorim (PL) — mais um para a conta. O assunto foi a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 120 mortos e é considerada a mais letal da história do estado.
Tradicionalmente, os encontros de quarta são reservados para discussões sem polêmicas, mas o acordo de cavalheiros foi para o espaço. A rusga começou por um motivo mais prosaico: o pedido de adiamento, feito por Benício, do projeto do que cria o Dia do Patriota, de autoria de Amorim, por falta de justificativa da escolha da data — a ser celebrada no dia 21 de março.
O conservador chiou e acusou a opositora de quebrar o acordo das quartas. “Não é uma vereadora de primeiro mandato, sabe que tem caminhos para se retirar projetos […] Descortesia sem tamanho”, disparou Amorim. Foi o gancho para Benício aproveitar para escalar o tom e levar a megaoperação para o debate.
“Rio mais feliz” x “governador das chacinas”
O tom da sessão mudou quando a psolista criticou a realização dos trabalhos na Casa enquanto os problemas de segurança na cidade ainda se desenrolam. “Estamos aqui aprovando projetinho de data comemorativa, enquanto mais de 130 corpos foram assassinados — isso tudo comandado pelo governador do PL. Não há condições da Câmara seguir os trabalhos aqui”, disse a vereadora, que afirmou ter feito um ofício pedindo o cancelamento da sessão, mas sem sucesso.
A parlamentar também havia protocolado um ofício pedindo a criação de uma Comissão de Representação para acompanhar as investigações da operação e as futuras ações de combate à criminalidade e reparação de danos causados à população. No entanto, foi barrada pela Mesa Diretora, não levando nenhuma das duas apostas para chamar atenção para o debate.
Na presidência dos trabalhos, Tânia Bastos (Republicanos) defendeu a cúpula da Casa, lembrando que a sessão de ontem (28) já havia sido suspensa — afinal, os próprios parlamentares teriam dificuldade para chegar no velho Palácio Pedro Ernesto, tendo em vista o caos no trânsito. “Entendo toda a indignação, mas ontem já fizemos um gesto. E hoje a presidência […] deliberou para darmos continuidade”, afirmou.
A provocação ao PL foi respondida por Rogério Amorim, que defendeu a ação de Cláudio Castro e dobrou a aposta. “O Rio de Janeiro hoje acorda mais feliz, porque mais de 120 criminosos foram assassinados. É com muito orgulho que digo que o governador Cláudio Castro é do PL”.
A fala de Amorim gerou a tréplica imediata. Benício classificou Castro como “incompetente, covarde e governador das chacinas”. Rick Azevedo (PSOL) endossou a colega de bancada. “Como um vereador acha que se entra num território com trabalhadores e sai atirando? A bala não escolhe idade, identidade ou gênero. Considero a operação um fracasso”.
O deixa disso
No meio do fogo cruzado, coube a Marcos Dias (Podemos), presidente da Comissão de Direitos Humanos, tentar o caminho do meio. O vereador criticou a falta de soluções concretas e mirou nos dois lados. “Discordo bastante da política de segurança que o Estado vem fazendo e da política que o Governo Federal faz. Existe muito discurso, muitas falas, mas sem soluções. Vamos sim respeitar a favela, mas com a seriedade que tem que ser respeitada e a cobrança que tem que ser feita com quem está no crime. Agora é hora do diálogo”, declarou.
Segundo o edil, o colegiado está acompanhando os desdobramentos da operação e tentando um diálogo moderado com as forças de segurança e as gestões da cidade e do estado.






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