Vídeo: Soltura de Rodrigo Bacellar gera bate-boca na Câmara dos Vereadores

Soltura aprovada pela Alerj e ratificada com restrições por Alexandre de Moraes nesta terça (9) repercutiu na Cinelândia. Monica Benício (Psol) cobrou o silêncio da direita e atacou a bancada do PL, que votou em peso na Assembleia pela liberdade de Bacellar

A sessão desta terça-feira (9) da Câmara do Rio estava correndo dentro dos padrões do Legislativo carioca, em clima de maratona na reta final antes do recesso, até que Monica Benício (Psol) resolveu ir ao microfone comentar uma decisão polêmica nas terras vizinhas da Carioca: a soltura do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União). 

A psolista questionou o silêncio dos colegas da direita sobre a votação de ontem na Assembleia Legislativa que colocou Bacellar em liberdade. 

“O presidente da Assembleia Legislativa foi preso pela Polícia Federal com R$ 90 mil no carro e não estou vendo ninguém falando sobre isso”, disparou a vereadora, mirando diretamente o líder do PL, Rogério Amorim.

Ela acusou o partido de adotar dois pesos e duas medidas. “O líder do PL gosta de dizer que bandidos com fuzil na mão precisam ser abatidos. […] Mas seus políticos de estimação não estão com fuzil na mão porque eles que vendem”, ironizou, citando as relações de Bacellar e do governador Claudio Castro, também do PL, com TH Jóias, preso por articulação com o Comando Vermelho (CV). 

“Os bandidos mortos na megaoperação foram assassinados pelo governador defendido aqui, o mesmo que tinha fotinhas de amizade com TH Jóias, preso por ligação com o CV, e que justificou a operação no Complexo da Penha por causa da facção. Aí o presidente da Alerj é preso por vazar informações sigilosas para proteger esse marginal do TH Jóias, mas há um silêncio do PL sobre isso”, atacou.

A reação do PL

Rogério Amorim reagiu de imediato. Disse que Bacellar “será julgado pelo crime que está sendo acusado” e rebateu a comparação feita pela vereadora. “Não me consta que ele enfrentou a polícia com tiros, igual aos marginais que vossa excelência defende. Quem recebe a polícia com tiros tem que ser abatido”, afirmou.

Poubel (PL) também entrou na discussão. Na semana passada, havia classificado Bacellar como “honrado”. Hoje, atacou a esquerda: “Lá na Alerj aconteceu um fato e ele vai ser julgado. Agora, a vagabundagem está sempre do lado da esquerda.”

Histórico de farpas

Não é a primeira vez que o caso Bacellar reverbera na Cinelândia. Na semana passada, no dia da prisão, Salvino Oliveira (PSD) já havia rompido o protocolo para chamar o presidente da Alerj de “lobo em pele de cordeiro”, resgatando mágoas antigas de quando Bacellar chamou a Câmara de “puxadinho da prefeitura”. 

Na ocasião, ele devolveu a farpa, dizendo que “para alguns a Alerj é um puxadinho do crime organizado”, em referência às recentes suspeitas de ligações de parlamentares com o Comando Vermelho (CV).

Moraes decretou decisão da Alerj e decidiu pela soltura de Bacellar

Rodrigo Bacellar foi preso pela Polícia Federal na última quarta-feira (3), acusado de vazar informações sigilosas sobre uma operação contra o então deputado Tiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias — inclusive orientando o colega a apagar provas. 

O tempo preso, no entanto, foi curto. Na segunda-feira (8), a Alerj votou pela soltura de Bacellar num placar de 42 a 21. E os números dão lastro à crítica de Monica Benício: a bancada do PL, partido de Amorim e Castro, foi decisiva para abrir a cela. Dos presentes, 14 deputados da legenda votaram pelo “sim” e apenas três foram contra. O União Brasil, partido do presidente, fechou a questão e entregou todos os votos pela liberdade. Já as legendas da esquerda — PSOL, PSB e PCdoB — votaram em bloco pela manutenção da prisão.

A liberdade do deputado, no entanto, veio com um sabor amargo nesta terça-feira. Durante a tarde, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, acatou a decisão do legislativo estadual de revogar a prisão, mas impôs um duro pacote de medidas cautelares que esvazia o poder de Bacellar.

O ministro determinou que o deputado seja afastado imediatamente da presidência da Alerj. Além disso, Bacellar deixará a prisão direto para o monitoramento: terá que usar tornozeleira eletrônica e cumprir recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 6h. Ele também teve o passaporte retido e está proibido de se comunicar com outros investigados.

Basicamente, Bacellar volta para casa, mas não volta para o comando do Palácio Tiradentes.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading