Diretor da PF chama soltura de Bacellar pela Alerj de ‘não razoável’

Segundo Andrei Rodrigues, medida contraria discurso de parlamentares

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, criticou nesta segunda-feira (15) a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que revogou a prisão do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União-RJ). Segundo ele, a medida não é razoável e contraria o discurso de endurecimento no combate ao crime organizado.

“Não é razoável nós termos, como tivemos recentemente no Rio de Janeiro, a soltura de um preso por ordem da Suprema Corte, vinculado notoriamente ao crime organizado e ao mesmo tempo o discurso de enfrentamento duro ao crime organizado”, afirmou Rodrigues.

Bacellar, que presidia a Alerj, foi preso no início de dezembro sob suspeita de vazamento de informações sigilosas de uma operação policial que investigava ligações com organizações criminosas. Durante a ação, foram apreendidos valores em dinheiro no veículo do parlamentar. Após a decisão do plenário da Casa, a prisão preventiva foi substituída por prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.

A revogação da prisão foi aprovada por maioria dos deputados estaduais, em votação no plenário.

Rodrigues destaca falta de coerência entre Poderes

O diretor da PF também relacionou o episódio ao debate sobre medidas legislativas de enfrentamento ao crime organizado, destacando a necessidade de coerência institucional entre os poderes. “É um contrassenso se pegarmos o discurso, uma semana antes, de determinados parlamentares, rigorosamente contra o crime organizado e, na hora de apertar o botão do solta e não solta o criminoso, vão pela soltura”, disse.

Rodrigo Bacellar nega irregularidades e afirma que não interferiu nas investigações.

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