Colombiana é indiciada por injúria racial após oferecer banana a capoeiristas na Rocinha

Turista deixou o Brasil um dia depois do episódio; Polícia Civil pede inclusão do nome da suspeita na lista vermelha da Interpol

Uma turista colombiana foi indiciada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro pelo crime de injúria racial após oferecer uma banana a um grupo de capoeiristas negros durante uma apresentação cultural na Rocinha, na Zona Sul da capital fluminense. O indiciamento foi anunciado nesta segunda-feira pela corporação, que também solicitou a inclusão do nome da investigada na lista vermelha da Interpol para facilitar sua localização internacional.

O caso ocorreu em 26 de maio, no ponto turístico conhecido como “Acorda Capoeira”, onde integrantes de um projeto social da comunidade realizavam uma apresentação para um grupo de 14 turistas vindos da Colômbia. Segundo a investigação, a atitude da visitante foi interpretada como um ato racista pelos participantes e motivou a abertura de um inquérito policial.

Episódio aconteceu após apresentação cultural

De acordo com a Polícia Civil, ao término da exibição um dos capoeiristas iniciou a tradicional prática de “passar o chapéu”, pedindo contribuições voluntárias para ajudar a financiar as atividades do projeto social desenvolvido na comunidade.

Nesse momento, conforme relato dos investigadores, uma das turistas retirou uma banana da bolsa e a estendeu na direção dos integrantes da roda de capoeira. Questionada sobre o gesto, ela teria afirmado que essa prática seria comum em seu país de origem, a Colômbia.

Apesar da justificativa apresentada, a ação foi considerada ofensiva pelos presentes, que associaram o gesto a um ato de discriminação racial. A denúncia chegou à 11ª Delegacia de Polícia (Rocinha), responsável pela investigação do caso.

Investigação identificou saída do país

A ocorrência foi registrada em 28 de maio, dois dias após o episódio. A partir da denúncia, agentes da delegacia iniciaram diligências e um trabalho de inteligência para identificar a autora da ação.

Segundo a Polícia Civil, os investigadores conseguiram qualificar a suspeita e descobriram que ela havia deixado o Brasil em 27 de maio, apenas um dia após o ocorrido, retornando à Colômbia. Para os responsáveis pela apuração, a rápida saída do território brasileiro pode indicar uma tentativa de evitar eventual responsabilização criminal.

Durante as semanas seguintes, a equipe da 11ª DP reuniu depoimentos, analisou materiais relacionados ao caso e coletou elementos considerados essenciais para o esclarecimento dos fatos.

Pedido de inclusão na lista da Interpol

Com a conclusão das diligências, a turista foi formalmente indiciada por injúria racial. Além disso, a Polícia Civil encaminhou pedido para que seu nome seja inserido na lista vermelha da Interpol.

O mecanismo internacional é utilizado para alertar autoridades policiais de diferentes países sobre pessoas procuradas ou investigadas por crimes, permitindo maior cooperação entre as forças de segurança na localização de suspeitos que estejam fora do país onde a investigação foi iniciada.

O caso segue sob acompanhamento das autoridades brasileiras, que aguardam os próximos desdobramentos relacionados ao pedido de cooperação internaciona

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