Um domingo de tarde cinzenta, garoa insistente e frio de até 11 graus. O cenário não parecia convidativo para uma reunião política a 200 quilômetros da capital. Mas o poder – ou melhor, a perspectiva de poder – é mesmo irresistível, a ponto de cerca de 40 prefeitos de várias regiões do estado seguirem estrada por três ou quatro horas para encontrar o pré-candidato do PSD, Eduardo Paes, numa confraternização promovida por André Ceciliano, em seu sítio na serra de Mendes.
Quem imaginava chegar de helicóptero teve de mudar de planos. A baixa visibilidade impedia a aproximação na propriedade, encoberta durante todo o dia por densa névoa. As condições adversas não foram suficientes, contudo, para desanimar os convivas. O quórum foi animador na avaliação dos organizadores.
O balanço do encontro oscilou. Pezão disse que seguramente tinham mais de 30 alcaides; Ceciliano cravou mais de 40. O número real ficou, de fato, próximo disto.
Não se distribuíram fotos em plano geral do encontro. A presença de prefeitos de partidos da coligação do PL, partido de Douglas Ruas, teria sido o motivo do cuidado na divulgação do evento. Fotos só do anfitrião, André Ceciliano, com Eduardo Paes e os candidatos ao Senado Benedita da Silva e Pedro Paulo.
— Não podemos comprometer os amigos – desconversou Ceciliano.
O convite enviado aos prefeitos já tentava tranquilizar os convidados que eventualmente não desejavam se exibir ao lado do ex-prefeito carioca. Antecipava a todos que jornalistas e videomakers não estariam presentes para evitar fotos para redes sociais e permitir o que classificou de conversas intimistas.
De fato, Paes trocou a formalidade dos discursos pela conversa ao pé do ouvido. Num canto, travava prosa com três ou quatro prefeitos. Mais adiante, cercava-se de outros tantos. Assim, permaneceu durante todo o tempo em que esteve no local. No início da noite, despediu-se da turma fazendo o V da vitória.
Como ainda havia carne na brasa e chope no gelo, a reunião prosseguiu sem hora para terminar.
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