Medo do bolsonarismo cresce e mais da metade dos brasileiros rejeita Lula e Flávio, diz Quaest

Pesquisa mostra que temor da volta da família Bolsonaro ao Planalto subiu de 40% para 43%, empatando com o receio da reeleição de Lula; rejeição aos dois candidatos supera 50%

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O medo da volta do bolsonarismo ao Palácio do Planalto cresceu entre os brasileiros após o primeiro turno das eleições presidenciais, enquanto a rejeição aos dois candidatos que disputam a Presidência permanece acima de 50%. É o que revela a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14), que mostra um eleitorado dividido entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o levantamento, 43% dos entrevistados afirmam ter mais medo do retorno da família Bolsonaro ao poder, mesmo percentual dos que dizem temer mais a reeleição de Lula. O resultado representa uma mudança em relação à pesquisa anterior, divulgada em 3 de outubro, quando o temor ao bolsonarismo era de 40%, enquanto o receio de um novo mandato do petista alcançava 43%.

A diferença é que, em menos de duas semanas, o medo da volta dos Bolsonaro avançou três pontos percentuais, enquanto o índice relacionado à permanência de Lula no governo ficou estável. A movimentação ocorreu dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mas indica uma aproximação entre os dois sentimentos medidos pelo instituto.

Rejeição aos dois candidatos supera 50%

Outro dado que chama a atenção na pesquisa é a resistência dos eleitores aos dois nomes que disputam o segundo turno. De acordo com a Quaest, 54% dos entrevistados afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 53% dizem rejeitar Lula.

Apesar dos índices elevados, ambos registraram uma redução numérica da rejeição em comparação com o levantamento de 28 de setembro. Na ocasião, 56% afirmavam que não votariam no senador do PL, enquanto 54% descartavam apoiar o presidente.

O potencial de voto também apresentou mudanças. Atualmente, 47% dos entrevistados dizem que poderiam votar em Lula, contra 46% registrados anteriormente. Já Flávio Bolsonaro passou de 43% para 46% entre os eleitores que admitem votar no candidato da oposição.

Os números mostram que, embora a maioria dos brasileiros manifeste rejeição a cada um dos candidatos, houve uma ampliação do percentual de eleitores dispostos a considerar o voto em ambos. Isso não significa, porém, que todos esses entrevistados pretendam efetivamente votar neles no segundo turno.

Pesquisa é a primeira após vitória de Flávio no primeiro turno

Contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, o levantamento é o primeiro realizado pela Quaest depois do resultado do primeiro turno, disputado em 4 de outubro.

Na votação, Flávio Bolsonaro terminou à frente do presidente Lula, com 47% dos votos válidos, contra 45% do candidato petista. O resultado levou a disputa para o segundo turno e estabeleceu um novo cenário eleitoral, marcado pela tentativa dos dois candidatos de conquistar os eleitores que não os escolheram na primeira etapa.

A pesquisa divulgada nesta quarta-feira também mostra uma disputa apertada nas intenções de voto. Flávio aparece com 46%, enquanto Lula registra 44%, configurando empate técnico dentro da margem de erro.

O crescimento do medo do bolsonarismo, combinado com a rejeição majoritária aos dois candidatos, acrescenta um elemento à corrida presidencial: além de convencer os eleitores sobre suas propostas, Lula e Flávio precisam enfrentar a resistência de parcelas expressivas da população.

Metodologia da pesquisa

A Quaest entrevistou 2.154 pessoas entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança do levantamento é de 95%.

A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.

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