“A gente está lutando contra a Meta”, diz Janja durante ato pró-Lula no Rio

Primeira-dama acusa empresa de interferir na eleição, admite excesso de confiança no primeiro turno e destaca mobilização de jovens na campanha

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A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, acusou a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, de interferir na disputa presidencial durante um ato de apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado nesta quinta-feira (15), no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Ao lado de parlamentares e militantes petistas, Janja criticou o alcance das publicações favoráveis ao presidente e afirmou que a campanha está recorrendo a medidas jurídicas para questionar a atuação da empresa.

“Eu quero deixar o meu repúdio à Meta, que tem feito intervenção na nossa eleição, não tem entregado nossos conteúdos. Está horrível, isso. A gente já fez representação jurídica nos órgãos internacionais e estamos fazendo aqui dentro do Brasil”, declarou.

A primeira-dama também mencionou o deputado federal André Janones, responsável pelo canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que se tornou alvo de uma disputa jurídica no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As acusações de interferência feitas por Janja representam a posição da campanha petista. Não foram apresentados, durante o discurso reproduzido na reportagem, dados técnicos que comprovassem uma atuação deliberada da empresa para favorecer um candidato.

Janja admite excesso de confiança no primeiro turno

Durante o encontro, a primeira-dama reconheceu que a campanha de Lula passou parte do primeiro turno acreditando que a vitória estava encaminhada.

Segundo Janja, a mobilização precisou ser intensificada depois que o resultado das urnas mostrou uma disputa mais apertada do que a esperada pelos aliados do presidente.

“Ficamos muito tempo parados, achando que estava tudo resolvido, e não estava. Agora temos o dever de entregar o quarto mandato para ele. Não só em respeito à história dele, mas também pelo Brasil e pelas famílias brasileiras”, afirmou.

Janja também comentou a adaptação de Lula às redes sociais. Segundo ela, o presidente tem se acostumado a gravar vídeos curtos, embora prefira o contato direto com os eleitores.

“Quando eu coloco o celular na mão dele, ele fala: ‘Pô, de novo?’ Mas ele está se acostumando. Agora, ele fica me perguntando qual o tema do dia”, relatou.

Mobilização da juventude ganha destaque no ato

A manifestação reuniu integrantes do PT eleitos e não eleitos nas eleições de outubro. Entre os participantes estavam a deputada federal Benedita da Silva, que disputou uma vaga no Senado, e o deputado estadual Carlos Minc, que não conseguiu a reeleição.

Minc destacou a participação de jovens nas manifestações organizadas após o primeiro turno.

“A juventude pôs a cara a tapa e mexeu nesse tabuleiro eleitoral. Viva a nossa juventude revolucionária”, declarou.

Benedita também incentivou a continuidade da mobilização eleitoral e afirmou que pretende manter sua atuação política independentemente de ocupar um mandato.

“Vocês podem ter certeza de que a luta continua com ou sem mandato, sobretudo nesse momento”, disse.

Também participaram do encontro Marcelo Freixo, Lindbergh Farias, Anielle Franco, Nísia Trindade, Verônica Lima, Elika Takimoto e Marina do MST.

Fim da escala 6×1 entra na campanha

Outro assunto abordado por Janja foi a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, aprovada em dois turnos pelo Senado na quarta-feira (14).

A primeira-dama afirmou que a redução da jornada de trabalho será uma das principais bandeiras da campanha de Lula até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

“A grande vitória que os trabalhadores tiveram com o fim da escala 6×1 foi muito importante, e a gente sabe que essa vai ser nossa bandeira daqui para frente”, afirmou.

Janja também declarou acreditar que a mudança poderia ser revertida em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL).

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