A prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), nesta quinta-feira (15), provocou um novo problema político para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro. Com forte influência eleitoral em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, o ex-prefeito era considerado uma peça importante na mobilização de votos para o candidato do PL no segundo turno. Agora, o episódio deverá ser explorado pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo informações publicadas pelo jornalista Gabriel Sabóia, da revista Veja.
Canella foi preso preventivamente pela Polícia Federal durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavagem de dinheiro. A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A detenção ocorre dez dias depois de Canella conquistar 197.178 votos e se tornar o segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de 4 de outubro.
Aliado de Flávio tinha papel estratégico na Baixada
Canella e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, integram a estrutura de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro na Baixada Fluminense, região de expressivo peso eleitoral no estado.
A articulação tem como base a influência política de Canella em Belford Roxo, município que governou até abril deste ano e onde conquistou quase 68% dos votos na eleição para deputado estadual.
Rueda, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, também mantinha uma parceria eleitoral com Canella. A prisão do aliado interfere nessa articulação regional justamente na reta final da campanha presidencial.
Para a campanha de Lula, o episódio abre espaço para questionamentos sobre as alianças políticas de Flávio no estado.
Mãe de Flávio seria suplente de Canella no Senado
A proximidade de Canella com a família Bolsonaro ficou evidente durante a montagem das candidaturas para as eleições de 2026.
Em fevereiro, Flávio Bolsonaro apoiou a pré-candidatura do então prefeito de Belford Roxo ao Senado. A composição previa Rogéria Bolsonaro, mãe do presidenciável e ex-vereadora do Rio, como primeira suplente.
O projeto eleitoral foi abandonado depois que Canella acabou preso em flagrante, em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, policiais federais encontraram um fuzil em seu veículo.
A defesa sustentou que a arma pertencia a um policial militar responsável pela segurança do político e estava legalmente registrada. Canella foi posteriormente colocado em liberdade por decisão de Alexandre de Moraes.
Após o episódio, o ex-prefeito desistiu da disputa pelo Senado e concorreu à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), conquistando uma das maiores votações do estado. Rogéria Bolsonaro disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleita.
PF investiga esquema que movimentou R$ 7,6 bilhões
A investigação que resultou na nova prisão de Canella apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para movimentar recursos de origem ilícita.
Segundo a Polícia Federal, relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.
A operação também levou à prisão do delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, e de quatro policiais civis.
De acordo com reportagem da Veja, a Polícia Federal havia solicitado a prisão preventiva de Canella em 4 de setembro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente ao pedido no dia 14 daquele mês.
A decisão de Moraes foi assinada na terça-feira (13), dois dias antes do cumprimento dos mandados.
Na investigação, a PF atribui ao ex-prefeito um papel de articulação política dentro da suposta organização criminosa. As suspeitas ainda dependem de apuração judicial e não representam condenação.
A defesa de Canella informou que ainda não havia tido acesso à decisão judicial e declarou que o político confia no esclarecimento dos fatos.







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