Saiba quem são os quatro policiais civis presos na Operação Unha e Carne

Agentes são investigados em esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões

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Quatro policiais civis estão entre os presos na oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15). A ação também levou à prisão do deputado estadual e ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) e do delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.

Os agentes detidos são Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo; José Carlos Alves de Souza Júnior; Christiano Gaspar Fernandes; e Giovanni Gaspar Fernandes. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a PF, movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Pablo Jukia é oficial de Polícia Civil lotado na delegacia de Itaipu, em Niterói. Na época em que Marcus Amim esteve à frente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, ele trabalhava como inspetor na unidade especializada.

O delegado Glaucio Paz também aparece entre os alvos da operação, mas teve mandado de busca e apreensão, e não de prisão. Em 2023, ele foi anunciado como presidente do Detran-RJ, em substituição a Marcus Amim. Atualmente, não ocupa mais o cargo.

Irmãos foram presos em 2011

Christiano Gaspar é oficial de Polícia Civil. Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo em 2011 apontou que, na época, ele liderava uma milícia na Favela Roquete Pinto, em Ramos, na Zona Norte do Rio, ao lado do pai, o delegado Carlos de Oliveira, então ex-subchefe operacional da Polícia Civil. Naquele período, Christiano estava lotado na 22ª DP (Penha), onde chefiava o setor de investigações.

O irmão dele, Giovanni, também é oficial de Polícia Civil e está lotado na delegacia de Inhaúma. Os dois foram presos em 2011 durante a Operação Guilhotina, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Secretaria de Segurança e o Ministério Público do Estado do Rio.

Na ocasião, os irmãos foram denunciados por formação de quadrilha e peculato, sob a acusação de vender armas apreendidas. Segundo parecer da Secretaria estadual da Casa Civil sobre o caso, eles foram condenados pelos dois crimes, mas tiveram a punibilidade extinta devido à prescrição da pretensão punitiva.

À época, o então governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, anulou a demissão de dois inspetores envolvidos no caso.

Sobre a operação

A ação dá continuidade à investigação que já havia levado agentes a cumprir mandados contra Canella e Amim em julho, durante a sexta fase da operação. Na ocasião, os dois foram alvo de buscas.

O ex-prefeito permaneceu quatro dias preso em Bangu 8 e deixou a unidade em 11 de julho, por determinação de Alexandre de Moraes. Inicialmente, ele precisou cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite.

Em 24 de julho, o ministro retirou as restrições. Na decisão, Moraes afirmou que não havia, naquele momento, provas diretas que ligassem Márcio Canella às operações financeiras investigadas, mas manteve o andamento das apurações.

Como funcionava o esquema

Segundo a PF, uma rede de postos teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos em um esquema de lavagem de dinheiro que contaria com o consentimento de políticos.

Nesta quinta, os agentes saíram para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento dos mandados contra os policiais civis investigados.

A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e valores, além da suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas à rede de lavagem de dinheiro. Desse total, 96 são postos de combustíveis utilizados para camuflar e legalizar os recursos de origem criminosa, segundo a polícia.

Além do crime de organização criminosa armada, os investigados podem responder por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

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