A rejeição ao adversário continua influenciando parte do eleitorado na disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a maioria dos brasileiros afirma escolher seu candidato por considerá-lo a melhor opção. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (15) mostra que 17% dos eleitores do senador dizem votar nele para impedir a reeleição de Lula, enquanto 12% dos apoiadores do presidente afirmam escolhê-lo para evitar uma vitória de Flávio.
O levantamento também revela uma mudança em relação à pesquisa anterior. Há uma semana, 25% dos eleitores de Flávio declaravam votar no senador principalmente para derrotar Lula. Agora, esse percentual caiu oito pontos, chegando a 17%.
Entre os eleitores do presidente, o índice dos que dizem votar para impedir a eleição de Flávio passou de 13% para 12%, uma oscilação de apenas um ponto percentual.
A pesquisa foi encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e realizada pelo Datafolha com 2.520 entrevistados. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-00466/2026.
Maioria diz votar no melhor candidato
Quando considerada a totalidade dos entrevistados, 78% afirmam que escolhem o candidato por considerá-lo a melhor opção para governar o país.
Outros 14% dizem que a principal motivação do voto é impedir a vitória do adversário.
Na comparação com a pesquisa anterior, o percentual dos que afirmam votar no melhor candidato subiu de 76% para 78%. Já o grupo que declara votar para derrotar o rival diminuiu de 19% para 14%.
Os resultados mostram que a rejeição ao adversário permanece como fator de escolha para uma parcela do eleitorado, embora a justificativa predominante seja a preferência pelo candidato.
A pesquisa não permite concluir, por si só, quais fatores explicam as mudanças observadas entre os dois levantamentos.
Datafolha mostra que 93% estão decididos
Outro dado do levantamento é o elevado percentual de eleitores que afirmam já ter definido seu voto para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Segundo o Datafolha, 93% dos entrevistados dizem estar certos de sua escolha, enquanto 7% admitem a possibilidade de mudar de candidato até a votação.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 95% afirmam que sua decisão está consolidada. Outros 5% reconhecem que ainda podem mudar de posição.
No grupo dos eleitores de Lula, 94% dizem estar decididos, enquanto 6% admitem reconsiderar a escolha.
Os números apontam níveis semelhantes de convicção entre os apoiadores dos dois candidatos, com pequenas diferenças percentuais.
O resultado também indica que a parcela do eleitorado que admite mudar de voto é relativamente reduzida nesta etapa da campanha.
Flávio e Lula disputam narrativa de mudança
Na reta final da eleição, as campanhas dos dois candidatos procuram associar suas propostas à ideia de mudança, embora adotem estratégias diferentes.
Flávio Bolsonaro tem apresentado sua candidatura como alternativa à continuidade do governo Lula. O senador também destaca a composição mais conservadora do Congresso Nacional eleito em outubro como um possível elemento de sustentação política para sua administração.
Ao mesmo tempo, sua campanha utiliza críticas ao presidente e ao PT para mobilizar eleitores contrários à permanência do atual governo.
Lula, por sua vez, intensificou a mobilização nas ruas e nas redes sociais. Além de defender os resultados de seus mandatos, o presidente procura apresentar novas propostas e associar sua candidatura à continuidade de políticas públicas e a mudanças futuras.
As duas campanhas também recorrem a críticas ao adversário na propaganda eleitoral, em uma disputa marcada por elevados índices de rejeição.
Disputa presidencial segue em empate técnico
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira também mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto, contra 45% de Lula, considerando o total de entrevistados.
Nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o senador aparece com 51%, enquanto o presidente registra 49%.
A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, caracterizando empate técnico.
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 15 de outubro, com nível de confiança de 95%.







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