A fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou diferentes interpretações entre pastores que apoiaram sua candidatura à Presidência. Silas Malafaia classificou a decisão do senador como “corretíssima”, enquanto o bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, recorreu a uma referência bíblica para justificá-la: “Até Jesus Cristo ensinou a se proteger debaixo de perseguições.”
As manifestações ocorreram nesta quarta-feira (28), em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, depois que Flávio desembarcou em Miami, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia ordenado a entrega de seus passaportes e proibido sua saída do Brasil.
A Polícia Federal solicitou as medidas após apontar risco de fuga do senador, derrotado no segundo turno de domingo (25). Entre os elementos apresentados estavam informações sobre vínculos financeiros investigados e declarações de Eduardo Bolsonaro favoráveis à saída do irmão do país.
Malafaia muda discurso após criticar viagem de Jair Bolsonaro em 2022
A defesa de Flávio representa uma mudança de posição de Silas Malafaia. Em 2022, quando Jair Bolsonaro deixou o Brasil após perder a eleição para Lula, o pastor criticou a viagem e afirmou que o então presidente deveria permanecer no país para liderar a oposição.
Agora, Malafaia considera que a decisão de Flávio foi acertada. Ao ser confrontado com declarações antigas, justificou a mudança:
“Na época eu pensava assim. Depois vi que, se Bolsonaro ficasse aqui, ia ser preso lá atrás.”
O pastor também questionou a atuação de Alexandre de Moraes e afirmou considerar a saída uma forma de evitar uma prisão que, em sua avaliação, ocorreria sem as garantias legais.
“Estou vendo a esquerda espernear. Queria que Flávio ficasse aqui pra ser preso sem o devido processo legal?”
A declaração ocorreu apenas um dia depois de Malafaia agradecer publicamente ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela devolução de seu passaporte, apreendido em agosto de 2025 durante uma investigação.
À Folha de S.Paulo, Malafaia afirmou que conversou com Flávio na segunda-feira (26), mas negou ter sido informado sobre os planos de deixar o Brasil.
Rodovalho recorre a Jesus para justificar saída do senador
O bispo Robson Rodovalho também demonstrou compreensão com a decisão de Flávio. Para o líder da Sara Nossa Terra, a saída poderia ser interpretada como uma medida de proteção diante de uma suposta perseguição.
“Acho que é natural garantir sua integridade física. Até Jesus Cristo ensinou a se proteger debaixo de perseguições,” disse, em entrevista à Folha de São Paulo.
Rodovalho, no entanto, afirmou ser necessário aguardar esclarecimentos sobre os fundamentos das decisões judiciais.
Outro apoiador do senador, Teo Hayashi, da Zion Church, questionou a rapidez das medidas determinadas por Moraes e acusou o magistrado de falta de neutralidade.
Cláudio Duarte adota tom diferente e reconhece resultado das urnas
Em contraste com os demais líderes religiosos, o pastor Cláudio Duarte, que apoiou Flávio durante a campanha, evitou endossar o discurso de perseguição política.
“Quem venceu, venceu, quem perdeu, perdeu”, declarou em vídeo publicado nesta quarta-feira.
Duarte também afirmou desejar que Lula tenha um governo bem-sucedido e que o país cresça, independentemente das diferenças eleitorais.
“Eu não quero que Lula faça um mau governo. Eu quero que o país cresça, quero que você hoje que está feliz com essa vitória que permaneça feliz.”







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