O jatinho de luxo utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família para deixar a Argentina em direção aos Estados Unidos pertence a uma empresa ligada a um empresário investigado por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no governo de Javier Milei. A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW, é operada pela Baires Fly, associada ao argentino Sergio Daniel Mastropietro, citado em investigações sobre desvios milionários de recursos públicos.
Mastropietro é investigado por suspeita de participação em um esquema envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (Andis), órgão do governo argentino. As irregularidades apuradas envolveriam mais de 7,8 bilhões de pesos argentinos, aproximadamente R$ 27 milhões.
O caso ganhou repercussão política na Argentina por atingir integrantes do entorno de Milei, aliado da família Bolsonaro. A irmã do presidente, Karina Milei, secretária-geral da Presidência, também foi citada em acusações de cobrança de propina de empresas farmacêuticas em contratos de fornecimento de medicamentos.
Não há, até o momento, informações que indiquem envolvimento de Flávio Bolsonaro nas irregularidades investigadas na Argentina. Também não foram esclarecidos os responsáveis pelo pagamento da viagem.
Empresário é investigado por movimentações milionárias
Segundo informações divulgadas pela imprensa argentina, Mastropietro teria participado de operações destinadas a dar aparência legal a recursos desviados, utilizando empresas ligadas ao setor de aviação executiva.
As investigações identificaram transferências superiores a 95 milhões de pesos argentinos para contas da Baires Fly. Os investigadores apuram se contratos de serviços aéreos foram utilizados para movimentar valores provenientes de atividades ilícitas.
O empresário também mantém conexões empresariais com o entorno do ex-presidente argentino Mauricio Macri, que governou o país entre 2015 e 2019.
Mastropietro presidiu a Avian Líneas Aéreas, companhia criada após a venda da Macair Jet, antiga empresa de táxi aéreo da família Macri, ao grupo colombiano Avianca, em 2016.
Ele também é mencionado em outras investigações sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo relações comerciais com Fred Machado, investigado por tráfico de drogas.
Polícia Federal monitorou jatinho na Argentina
O Gulfstream G400 permaneceu estacionado no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, durante a terça-feira (27), sob monitoramento da Polícia Federal brasileira.
Os investigadores já tinham informações sobre a possibilidade de Flávio atravessar a fronteira por Foz do Iguaçu. Entretanto, como a aeronave estava em território argentino, a PF não tinha competência para impedir sua decolagem.
O avião partiu com destino a Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami, na Flórida, onde o senador e três familiares desembarcaram na manhã desta quarta-feira (28).
Saída ocorreu após determinação do STF
A viagem aconteceu depois que Flávio Bolsonaro deixou de cumprir uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.
A determinação foi expedida após a derrota do senador para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial de domingo (25).
Ao analisar o pedido da PF, Moraes apontou a existência de “risco concreto” de fuga. O requerimento policial havia sido apresentado na noite da eleição, pouco depois da confirmação da vitória de Lula.
A revelação sobre a empresa responsável pelo jatinho acrescenta uma nova dimensão à controvérsia sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, enquanto permanecem sem esclarecimento público as condições de contratação e o financiamento do voo.







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