A megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, dividiu opiniões no campo político, mas o novo levantamento Genial/Quaest mostra que o apoio à ação se estende para além da direita. A pesquisa revela que a maioria dos eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aprova a operação — e que apenas a esquerda não-lulista aparece dividida sobre o tema.
Segundo os dados, 67% dos brasileiros apoiam a ação das polícias Civil e Militar fluminenses, enquanto 25% a desaprovam. Outros 4% não têm opinião formada e 4% não souberam responder. O índice nacional de aprovação é ligeiramente superior ao registrado no Rio de Janeiro no início de novembro, quando 64% dos fluminenses haviam aprovado a megaoperação.

Lulistas também apoiam a operação
Os números desmontam a percepção de que o episódio gerou rejeição dentro da base petista. Entre os eleitores que se declaram lulistas, a maioria vê a ação de forma positiva, ainda que o presidente tenha criticado a operação, classificando-a como “desastrosa” e “mal planejada”.
Para 57% dos entrevistados, Lula errou ao fazer essa avaliação — e 38% concordam com o presidente. Mesmo entre seus eleitores, a reprovação à fala é expressiva: 66% dos lulistas discordam da afirmação de que traficantes seriam “vítimas dos usuários de drogas”, feita por ele em discurso recente.
Na esquerda que não se identifica com o lulismo, o cenário é de maior divisão: 78% discordam da declaração sobre traficantes, mas o grupo se mostra menos coeso quanto à operação em si, com índices de aprovação e desaprovação mais equilibrados.
Independentes e direita endossam ação no Rio
Entre os eleitores independentes, que não se declaram nem de esquerda nem de direita, o apoio é igualmente elevado: 81% rejeitam a ideia de que traficantes sejam vítimas e a maioria concorda com o uso da força policial. Na direita, tanto bolsonaristas quanto conservadores não alinhados a Jair Bolsonaro endossam a operação de maneira quase unânime.
A Quaest também identificou uma mudança na percepção nacional sobre segurança. A violência subiu de 30% para 38% como principal preocupação dos brasileiros entre outubro e novembro, superando a economia, que ficou em segundo lugar, com 15%.
Segurança pública domina o debate nacional
A ação policial de 28 de outubro, considerada a mais letal da história do Rio, influenciou diretamente a avaliação geral do governo. Segundo a pesquisa, a aprovação de Lula recuou um ponto percentual, passando de 48% para 47%, enquanto a desaprovação subiu de 49% para 50%. A diferença, que em outubro era de um ponto, aumentou para três.
Apesar do impacto, a avaliação do governo federal na área de segurança segue relativamente estável: 26% consideram o desempenho positivo, 36% o avaliam como regular e 34% o classificam como negativo. Em contrapartida, os governos estaduais têm avaliação melhor — 70% os consideram entre regular e bom.
Endurecimento contra o crime tem apoio majoritário
A pesquisa também mostra um consenso em torno de medidas mais duras contra o crime organizado. Para 73% dos brasileiros, facções criminosas deveriam ser classificadas como grupos terroristas. Outros 88% apoiam o aumento da pena para homicídios cometidos a mando dessas organizações, e 65% defendem o fim da visita íntima a presos ligados a facções.
Entre lulistas, 39% consideram que a melhor forma de reduzir a violência é endurecer as leis e as penas — visão compartilhada por 41% dos independentes, 53% da direita não bolsonarista e 58% dos bolsonaristas.
Castro ganha destaque entre governadores de direita
A pesquisa também aponta que o governador Cláudio Castro (PL), responsável pela operação no Rio, se tornou o principal nome do Consórcio da Paz — grupo de governadores de direita criado para coordenar ações contra o crime.
De acordo com o levantamento, 24% dos brasileiros acreditam que Castro é o que “se saiu melhor até aqui”. Ele supera Tarcísio de Freitas (SP), que aparece com 13%, e Ronaldo Caiado (GO), com 11%. Romeu Zema (MG) aparece em quarto lugar, com 5%.
Detalhes da pesquisa
A 19ª rodada da pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 6 e 9 de novembro, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.






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