Lula, Flávio e seus vices vão a missas no dia de Nossa Senhora Aparecida em meio à disputa pelo voto católico

Candidatos à Presidência participam de compromissos no feriado da padroeira do Brasil, enquanto Alckmin e Alfredo Gaspar representam as chapas em celebrações no Santuário de Aparecida

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa no início da manhã desta segunda-feira de uma missa em homenagem à Nossa Senhora na capela do Palácio da Alvorada, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) estará presente na programação em homenagem à padroeira na Catedral de Brasília. O senador será acompanhado do candidato a vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL).

Já o candidato a vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), participará das celebrações de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário Nacional, no interior de São Paulo, ao lado da esposa.

A movimentação ocorre em meio à disputa pelo eleitorado católico e após uma série de controvérsias envolvendo publicações políticas sobre Nossa Senhora Aparecida nas redes sociais. As duas campanhas buscam participar das homenagens religiosas sem alimentar acusações de utilização da fé como instrumento de propaganda eleitoral.

A equipe de Lula informou que o presidente participará, após a missa, de evento em homenagem ao Dia das Crianças com a Carreta Furacão em Taguatinga, região da capital federal.

Agendas intensas na reta final

A participação do senador nas celebrações ocorre após uma sequência de compromissos com representantes de diferentes segmentos religiosos.

Na quinta-feira (8), Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar realizaram uma “visita institucional” ao arcebispo metropolitano de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa. Durante o encontro, os integrantes da chapa receberam uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

No fim de semana, o candidato do PL também participou da comemoração de aniversário de uma igreja evangélica no Rio de Janeiro, ampliando sua presença em eventos religiosos durante a campanha.

A estratégia ocorre em um momento no qual a aproximação com lideranças e comunidades religiosas ganhou destaque na disputa presidencial. A participação nas celebrações da padroeira, entretanto, exige cautela das campanhas para evitar que os atos sejam interpretados como manifestações eleitorais.

No caso de Lula, os compromissos previstos para esta segunda-feira reforçam um fim de semana dedicado principalmente à mobilização política, mas sem deixar de abordar a questão religiosa, tão em voga nas últimas semanas de disputa eleitoral.

No sábado (10), o presidente iniciou uma sequência de atividades de campanha com o objetivo de reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

No domingo (11), Lula participou de uma manifestação organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), na Avenida Paulista, em São Paulo. Durante o evento, voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, proposta que se tornou uma das principais bandeiras de sua campanha no segundo turno.

Polêmica sobre padroeira chegou ao TSE

A presença dos candidatos e seus vices em celebrações católicas ocorre após a circulação de conteúdos nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

As publicações começaram a ganhar repercussão no fim de setembro e foram desmentidas pelo senador em suas redes sociais no dia 24 daquele mês.

A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisou pedidos de remoção das mensagens consideradas falsas pela campanha do candidato do PL.

O ministro André Mendonça, relator do caso, havia determinado inicialmente a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet e de milhares de conteúdos semelhantes que associavam Flávio à suposta iniciativa.

Durante a análise colegiada, porém, surgiram divergências entre os ministros sobre a extensão das restrições impostas às publicações.

Diante dos questionamentos, Mendonça reformulou seu entendimento e concordou com a liberação da postagem de Tabet, mantendo a retirada de conteúdos que estabelecessem de maneira inequívoca a associação falsa entre o candidato e a proposta de alteração do título religioso.

O entendimento estabeleceu uma distinção entre publicações que apresentassem a informação falsa de forma direta e conteúdos cuja interpretação permitisse dúvidas razoáveis sobre a associação com Flávio Bolsonaro.

Assim, ficou definido que mensagens que atribuíssem claramente ao senador a intenção de retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida deveriam ser removidas, enquanto publicações ambíguas poderiam permanecer disponíveis.

Campanhas buscam espaço entre eleitores católicos

A participação das campanhas Lula e Flávio nas celebrações da Padroeira desta segunda-feira demonstra a importância atribuída ao eleitorado religioso na reta final da disputa presidencial.

Ao mesmo tempo, a controvérsia envolvendo as publicações sobre a padroeira colocou em evidência os limites entre manifestações políticas, liberdade de expressão e disseminação de informações falsas durante o processo eleitoral.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os compromissos religiosos passam a integrar uma agenda de campanha marcada pela busca de apoio em diferentes segmentos da sociedade.

As celebrações de Nossa Senhora Aparecida, no entanto, têm caráter religioso e tradicionalmente reúnem milhares de fiéis, independentemente de suas preferências políticas.

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