Lula e Flávio têm empate técnico em MG, ‘estado pêndulo’ para eleições presidenciais

Pesquisa Datafolha mostra petista com vantagem no primeiro turno e disputa dentro da margem de erro no segundo; resultado reforça peso estratégico do segundo maior colégio eleitoral do país

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Minas Gerais volta a ocupar posição central na corrida pelo Palácio do Planalto. Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (22) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) entre os eleitores mineiros no primeiro turno, mas aponta empate técnico entre os dois em uma eventual segunda rodada.

O cenário ganha importância pelo histórico eleitoral de Minas. Desde a eleição presidencial de 1989, o candidato que venceu entre os mineiros também terminou eleito presidente da República. Essa sequência, somada à diversidade social, econômica e regional do estado, consolidou Minas como o principal “estado-pêndulo” das disputas nacionais.

No principal cenário de primeiro turno do Datafolha, sem Pablo Marçal (PRTB), Lula aparece com 37% das intenções de voto, contra 31% de Flávio. O governador Romeu Zema (Novo), que disputa a Presidência, alcança 10% em seu próprio estado.

Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) registram 3% cada. Augusto Cury (Avante) tem 2%. Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) aparecem com 1% cada. Brancos, nulos ou nenhum somam 7%, e os indecisos representam 5%.

Minas volta a funcionar como termômetro da eleição

A condição de estado-pêndulo não decorre apenas do tamanho do eleitorado mineiro. Minas reúne regiões com características políticas, sociais e econômicas bastante distintas, reproduzindo algumas das divisões encontradas no conjunto do país.

Enquanto áreas do Norte de Minas apresentam historicamente comportamento eleitoral mais próximo ao observado no Nordeste, regiões do Sul mineiro guardam maior semelhança com o padrão político do Sudeste. Essa combinação ajuda a explicar por que o estado é frequentemente tratado como uma espécie de síntese eleitoral do Brasil.

O retrospecto reforça essa percepção. Fernando Collor venceu em Minas em 1989 e conquistou a Presidência. Fernando Henrique Cardoso repetiu a combinação em 1994 e 1998. Lula venceu no estado em 2002 e 2006; Dilma Rousseff, em 2010 e 2014; Jair Bolsonaro, em 2018; e Lula novamente em 2022.

A eleição de 2022 evidenciou ainda mais essa característica. Lula derrotou Jair Bolsonaro em Minas por uma margem estreita: 50,20% contra 49,80% no segundo turno. Nacionalmente, a disputa também terminou apertada, com vitória do petista.

Quatro anos depois, o Datafolha mostra novamente um cenário competitivo no estado, desta vez entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Segundo turno tem empate técnico

Se Lula apresenta vantagem mais confortável no primeiro turno, a diferença diminui quando a pesquisa simula uma disputa direta contra Flávio.

Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio alcança 42%. Outros 10% afirmam que votariam em branco, anulariam ou não escolheriam nenhum dos dois candidatos, e 2% permanecem indecisos.

Lula (PT): 46%
Flávio Bolsonaro (PL): 42%
Em branco/nulo/nenhum: 10%
Indecisos: 2%

Como a margem de erro da pesquisa em Minas é de três pontos percentuais para mais ou para menos, Lula pode variar de 43% a 49%, enquanto Flávio oscila entre 39% e 45%. Os intervalos se sobrepõem, o que coloca os dois candidatos em situação de empate técnico.

O resultado diferencia Minas de outros grandes colégios eleitorais pesquisados pelo Datafolha. Em São Paulo, Flávio registra 47% contra 42% de Lula no segundo turno. No Rio de Janeiro, a vantagem do candidato do PL é de 49% a 40%.

Já Minas permanece sem uma liderança estatisticamente definida, reforçando a perspectiva de que o estado poderá novamente ser um dos principais campos de batalha da campanha presidencial.

Marçal altera pouco a liderança de Lula

O Datafolha também realizou um cenário incluindo Pablo Marçal, que está inelegível e aguarda uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral sobre a possibilidade de concorrer.

Nessa configuração, Lula registra 36% e Flávio permanece com 31%. Zema cai de 10% para 8%, enquanto Marçal aparece com 4%.

Renan Santos e Ronaldo Caiado têm 3% cada. Augusto Cury registra 2%. Samara Martins, Rui Costa Pimenta e Wilson Grassi aparecem com 1%.

Brancos, nulos ou nenhum dos candidatos somam 7%, e os indecisos representam 4%.

A comparação entre os dois cenários indica que a entrada de Marçal provoca impacto limitado sobre os dois primeiros colocados em Minas: Lula perde um ponto, enquanto Flávio mantém os mesmos 31%.

Campanhas disputam território mineiro

A importância estratégica do estado já se reflete nas agendas dos candidatos. Lula esteve em Minas na última semana, onde participou de compromissos e de ato político em Belo Horizonte. Flávio Bolsonaro também passou recentemente pelo estado e participou de agendas eleitorais.

A movimentação tende a se intensificar justamente porque Minas combina elevado número de eleitores com um histórico de equilíbrio entre diferentes campos políticos.

Para Lula, conservar a vantagem registrada no primeiro turno e repetir o desempenho obtido no estado em 2022 pode ser decisivo para sustentar sua candidatura nacionalmente. Para Flávio, reduzir a diferença e virar o resultado mineiro significaria avançar em um território que historicamente funciona como indicador da direção tomada pelo eleitorado brasileiro.

O cenário nacional reforça essa importância. No Datafolha nacional divulgado nesta semana, Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Em eventual segundo turno, o presidente registra 47% e o candidato do PL, 43%.

Em Minas, portanto, os quatro pontos que separam os dois no confronto direto reproduzem uma disputa apertada e estatisticamente indefinida.

O Datafolha entrevistou 1.204 eleitores mineiros com 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-04396/2026.

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